Após perder cadela para leishmaniose, morador cria projeto de conscientização: 'Retribuir o amor que ela deu para a gente'

  • 16/07/2026
(Foto: Reprodução)
Tutor de cadela que faleceu com leishmaniose cria instituto de conscientização da doença A partir da morte da cadela Madalena, vítima de complicações causadas pela leishmaniose canina, seu tutor, um morador de Sorocaba (SP), transformou o luto em uma missão: conscientizar outros tutores de cães sobre a doença. Inspirado na bravura da cadela de estimação, o delegado Murilo Acquaviva Ferreira de Oliveira criou, junto à esposa, Gabriella Dias Acquaviva, o Instituto Madá, que busca promover ações de prevenção e informação para evitar que outros animais passem pelo mesmo que a pet. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp 🔍 A leishmaniose canina é uma doença grave causada pelo protozoário Leishmania. Ela não é transmitida pelo contato direto com o cachorro, mas, sim, pela picada do mosquito-palha infectado, que é o verdadeiro responsável por transmitir o parasita para outros animais e humanos. Ao g1, Murilo contou que o instituto surgiu logo após a morte da cadela, em 9 de junho deste ano, depois de quatro anos de tratamento. Segundo o tutor, Madalena desenvolveu uma complicação grave nos rins associada à leishmaniose e não resistiu. "A ideia do instituto é conscientizar a população da necessidade de prevenir essa doença, que é muito complexa de ser tratada, não tem um tratamento definitivo e cada cachorro reage de uma forma (...) A gente teve a ideia do instituto justamente para elevar o nome dela (Madalena) e retribuir para os demais um pouquinho do amor que ela deu para nós", pontuou. Instituto Madá foi criado para prevenção da leishmaniose canina, em Sorocaba (SP) Arquivo pessoal 'Presente na nossa vida' A cadela chegou ao lar da família por acaso, quando foi encontrada perdida dentro do condomínio onde Murilo mora. Na época em que foi adotada, ela tinha aproximadamente um ano. LEIA MAIS: Os desenhos mentiram? Consumo regular de cenouras pode afetar saúde dos coelhos; entenda Castração não é obrigatória para pets e deve ser avaliada caso a caso, explica veterinário; conheça mitos e cuidados Gripe canina: veterinária alerta que doença é mais frequente no inverno e indica cuidados para proteger os pets Tutor de Sorocaba (SP) tatuou Madalena como forma de homenagear a pet Arquivo pessoal Murilo conta que passeava com Zeca, o outro cachorro da família, quando encontrou Madalena. Como ela aparentava estar bem cuidada, o tutor imaginou que tivesse fugido de casa e começou a procurar pelos possíveis donos. Como ninguém surgiu para resgatá-la, ele e a esposa acabaram adotando o animal. "Madalena foi uma cachorra que a gente ganhou de presente na nossa vida, que apareceu por acaso, perdida no nosso condomínio. Na hora, foi amor à primeira vista", destacou Murilo. Delegado Murilo Acquaviva Ferreira de Oliveira, de Sorocaba (SP), criou junto da esposa o Instituto Madá, que busca promover ações de prevenção da leishmaniose Arquivo pessoal Com o passar do tempo, no entanto, a cadela começou a apresentar sintomas que chamaram a atenção da família, como alterações nas fezes, descamação na região ao redor dos olhos e aumento dos linfonodos. Foi nesse momento que o diagnóstico veterinário confirmou a doença. Segundo Murilo, Madalena precisou passar por quatro ciclos de tratamento com um medicamento específico, com custo aproximado de R$ 1,5 mil por ciclo. Apesar de viver bem com o tratamento durante quatro anos, ela apresentou complicações relacionadas à doença. "A gente ficou bastante triste e traumatizado com isso. O tratamento não é fácil porque, além do remédio, ele exige muito do cachorro. É uma doença muito chata de tratar (...) nós, eu e minha esposa, sofremos muito e estamos sofrendo muito com a ausência dela, porque era uma cachorra muito especial. Eu, particularmente, tinha uma conexão muito grande com ela", lamentou o tutor. A morte da cadela também afetou Zeca, que, segundo o tutor, ficou abatido após a perda da companheira. Morte da cadela Madalena também afetou Zeca, que, segundo o tutor, ficou abatido após a perda da companheira, em Sorocaba (SP) Arquivo pessoal O Instituto Madá A experiência vivida pela família fez o tutor perceber que muitas pessoas ainda não conhecem a leishmaniose canina, suas formas de contágio, prevenção e tratamentos adequados. Madalena precisou passar por quatro ciclos de tratamento, em Sorocaba (SP), com custo aproximado de R$ 1,5 mil por cada um. Apesar de viver bem com o tratamento durante quatro anos, ela apresrntou complicações relacionadas à doença Arquivo pessoal Segundo ele, a ideia inicial do instituto é usar as redes sociais para divulgar informações sobre a doença. O projeto já tem um perfil no Instagram e uma cartilha com orientações básicas sobre prevenção. O tutor também busca parcerias com veterinários e pretende promover eventos de conscientização, como caminhadas com cães e ações de distribuição de coleiras repelentes, que funcionam como antiparasitárias, liberando princípios ativos para matar os insetos. Initial plugin text "A gente quer fazer isso para que [outros] cachorros não passem mais pelo que a Madalena passou, que foi muito sofrido (...) Eu vejo o cachorro na rua sem a coleira e já vou contar a história, explicar o que aconteceu. A maioria das pessoas não conhece a doença", disse o tutor. O projeto ainda está em fase inicial e não foi oficializado como uma ONG ou instituto. Murilo explica que a intenção é regularizar a iniciativa e garantir transparência caso sejam firmadas parcerias ou recebidos recursos no futuro. "A gente quer honrar o nome dela ajudando outros cachorros, para que a vida da Madá não tenha passado por aqui em vão, porque ela foi uma cachorra muito especial", acrescentou Murilo. Projeto Instituto Madá ainda está em fase inicial e ainda não foi oficializado como uma ONG em Sorocaba (SP) Arquivo pessoal Cuidados contra a doença A leishmaniose não tem cura, por isso alguns tutores de cães acabam fazendo a opção da eutanásia, mas o tratamento existe e é seguro quando feito com acompanhamento. A contaminação ocorre quando o mosquito pica o cão infectado e depois outro animal ou uma pessoa. Alguns sintomas em cães são emagrecimento, lesão nos olhos e na pele e crescimento exagerado das unhas. Segundo o veterinário Pedro Henrique Gastaldo, de Jundiaí (SP), a doença pode causar desde alterações leves até quadros mais graves, principalmente por provocar uma resposta inflamatória crônica e lesões em vários órgãos, afetando principalmente os rins. "Uma pessoa não pega leishmaniose ao fazer carinho, conviver, beijar ou cuidar de um cão infectado. A principal forma de transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito-palha infectado. O cão não transmite a doença para outro cão por contato, saliva ou urina", destaca o veterinário. Não existe uma única forma de prevenção contra a leishmaniose. Por isso, os donos dos pets precisam ficar atentos para alguns cuidados. São eles: Eliminar possíveis criadouros do mosquito-palha, como retirar matéria orgânica do quintal e não deixar lixo acumulado; Limpar ambientes que tenham fezes de animais; Usar coleira repelente para cachorros; Implantar telas nas janelas quando o bicho fica dentro de casa; Evitar passeios noturnos com os animais. Ao anoitecer, o mosquito apresenta maior atividade. "O tratamento reduz a quantidade de parasitas, melhora os sinais clínicos e aumenta a qualidade e a expectativa de vida do animal. Todos os medicamentos são controlados e sempre prescrito pelo médico veterinário. O acompanhamento de um cão infectado é contínuo. Eles devem usar coleiras repelentes e o ambiente precisa ser monitorado", pontua o especialista. Veterinário Pedro Henrique Gastaldo, de Jundiaí (SP), explica como poluição sonora pode prejudicar saúde de pets Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/tem-mais-pet/noticia/2026/07/16/apos-perder-cadela-para-leishmaniose-morador-cria-projeto-de-conscientizacao-retribuir-o-amor-que-ela-deu-para-a-gente.ghtml


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