Atração da Bienal do Livro, Pedro Bandeira fala sobre nova obra, carreira e IA

  • 06/09/2026
(Foto: Reprodução)
O escritor Pedro Bandeira é uma das atrações da 28ª Bienal do Livro de São Paulo 2026 Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal O escritor Pedro Bandeira, autor infantojuvenil mais vendido do Brasil, é uma das atrações da 28ª Bienal do Livro de São Paulo, que ocorre até o próximo dia 13, no Distrito Anhembi, na capital paulista. Ao g1, o artista falou sobre a importância do evento para aproximar autores de leitores e revelou detalhes do novo livro, que está em pré-venda e é focado no público adulto. Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, Pedro Bandeira mudou-se para a capital ainda na juventude, onde mora até hoje. Ele é o autor de literatura juvenil mais vendido no país, com 17 milhões de exemplares comercializados até 2023, além de 12 milhões adquiridos pelo governo federal para distribuição às bibliotecas escolares. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Aos 84 anos, o escritor estará na Bienal do Livro nesta segunda-feira (7), quando participará de conversas sobre o papel da literatura na formação de leitores. Ao g1, Bandeira contou que eventos como esse são fundamentais para a carreira de escritores, pois trata-se de uma profissão com "atuação solitária". Agora no g1 Apesar do sucesso com obras infantojuvenis, o autor apostou no segundo romance com foco no público adulto recentemente, quando escreveu o livro "Sherlock Holmes investiga: a traição de Capitu". De acordo com ele, a obra é narrada pelo personagem fictício 'Dr Watson', parceiro do icônico detetive britânico Sherlock Holmes. No livro, Bandeira uniu os mundos literários de Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes) e Machado de Assis (escritor de Dom Casmurro) em uma investigação sobre o maior mistério da literatura brasileira: Capitu traiu ou não Bentinho? (personagens do livro Dom Casmurro). Ao g1, ele revelou que outras obras podem surgir no mesmo cenário. "Como eu tive a sorte de herdar um baú cheio de anotações do Dr. Watson, de aventuras não impressas do Sherlock Holmes, é possível que eu venha a ser obrigado a publicar algumas dessas aventuras dele", brincou. Escritor Pedro Bandeira Marcus Leoni/Divulgação Em meio às novidades da tecnologia, como a inteligência artificial, Bandeira afirmou que nada substituirá o livro escrito por seres humanos. "A inteligência artificial pode fazer livros, mas sei lá se será um livro tão interessante quanto a ideia nova de um ser humano. A máquina pode servir tudo, mas ela não tem novas ideias. A nova ideia é nossa", afirmou. O escritor afirmou que, antigamente, escrevia livros à mão porque a máquina de escrever não possibilitava correções. Com a chegada do computador, o trabalho ganhou mais agilidade. Por isso, Bandeira disse que a população não deve ter medo das novidades tecnológicas, mas usá-las a favor dos próprios interesses. "Tudo que a humanidade inventa é para o bem. Eu não tenho medo de nada, nenhuma dessas novidades", ressaltou. Confira a entrevista completa: Depois de anos de carreira na literatura, como o senhor enxerga a importância da Bienal do Livro? Tanto a Bienal como todas as feiras de livros que são feitas por todo o Brasil são as únicas oportunidades que um escritor, que tem uma atuação muito solitária, pode ter para encontrar o leitor. Há 50 anos, tenho feito isso e tenho conseguido conhecer muitos dos meus leitores. O senhor participará da Bienal justamente em uma conversa sobre livros que “crescem com seus leitores”. O senhor já encontrou leitores que conheceram seus livros na infância ou juventude? Como é saber que apresentou a literatura para algumas pessoas e teve um papel importante na vida delas? Bom, com quase 50 anos de atuação, via feiras, mas principalmente no tempo que não havia e-mail, havia cartas, tivemos muito contato com os meus leitores. Alguns deles ficaram meus amigos. A Cristiane do Rio, que eu amo muito, mandou uma foto das suas bodas de prata com o maridinho e tudo. E ela, desde os 10 anos, é minha leitora, os filhos dela são meus leitores. Eu sinto que mais um pouco e meus netinhos. É um prazer muito grande. Eu tenho vários deles, torço por eles, e muitos deram certo e continuam me mandando notícias. Tenho leitor já com mais de 50 anos, e os filhos de 20 e poucos também são meus leitores, e agora até meus netos. Os netos dos meus primeiros leitores já estão me lendo. Então isso é um prazer muito grande que eu tenho, por ter tido a sorte de ter essa carreira. Recentemente, o senhor lançou seu segundo romance para adultos: "Sherlock Holmes investiga a traição de Capitu". Como foi o processo de criação? Esse processo de criação foi muito fácil porque Sherlock Holmes nunca desapareceu, nunca morreu. Ah, o Conan Doyle [escritor] pode ter morrido, mas Sherlock Holmes sempre existirá, assim como o seu amigo Watson. Você pode dizer que Hamlet morreu? Claro que não morreu. Que Dom Casmurro morreu? Não morreu. O Machado [de Assis] pode ter morrido. Então, o Dr. Watson, como testemunha viva da façanha de Sherlock Holmes, escreveu essa história em que o Sherlock Holmes, em 1900, no momento em que saiu o livro [Dom Casmurro], resolveu ele mesmo investigar o livro inteiro, os personagens do livro, para descobrir, afinal de contas, se a Capitu deu ou não deu para o Escobar. Então, eu apenas estou aqui fazendo minhas as palavras do grande Dr. Watson, que também não morreu. ⁠O senhor nasceu em Santos e passou parte da infância na cidade. Quanto de Santos existe no Pedro Bandeira que conhecemos hoje? De Santos eu posso citar duas pessoas que são responsáveis pela minha ascensão à idade adulta, tanto pela arte, quanto pela participação política: a grande Patrícia Galvão, que eu tive o prazer de ouvir e conhecer em Santos; e o grande Plínio Marcos, que me abriu os caminhos da arte, do teatro, até dos dois, da política. Então, eu fui um filho desses dois, vim para São Paulo e consegui viver. Eles foram o meu acelerador intelectual e artístico. Então, de Santos eu trouxe para São Paulo, tudo aquilo que eu aprendi com eles. Antes da literatura, o senhor chegou a passar pelo teatro amador, jornalismo e publicidade. Qual foi o momento da sua carreira em que pensou: “agora eu realmente me tornei escritor”? Eu vim para São Paulo junto com o Plínio Marcos. Nós viemos para fazer teatro profissional e fizemos um pouco, mas acontece que o teatro profissional paga muito pouco. Realmente não dá para você fazer duas refeições diárias, às vezes nenhuma, de tão pouco que paga. Então, ao mesmo tempo, eu entrei no jornalismo. Como eu era um grande leitor, eu escrevia bem, então foi fácil entrar no jornalismo. E aí a minha carreira se desenvolveu através do jornalismo, da redação, sempre escrevendo. Escrevendo a ponto de depois de me afastar do teatro e viver só de escrever, mas nunca pensei em ser escritor. Eu escrevia aquilo que o chefe de redação mandava que eu escrevesse, ou que o diretor de criação publicitária mandava que eu escrevesse. E assim fui indo. Só que já perto dos 40, eu resolvi fazer um livro, justamente um livro infantil, e gostei demais. E tive a sorte de que, imediatamente, meu segundo livro fez um enorme sucesso, que é "A Droga da Obediência". E aí eu pude me profissionalizar como escritor. Eu não achava que ia viver só de escrever livro, ia continuar escrevendo como freelancer para jornais, para publicidade e coisas assim. No entanto, a redação de livros acabou sendo um sucesso, graças aos meus queridos leitores, e aí eu fui me afastando de tudo. Até hoje, eu vivo só de trabalhar para a literatura. Falando no futuro da literatura, o senhor crê que a inteligência artificial pode ser uma aliada de escritores? Como? Aliada o tempo todo. Em 87, eu escrevi um livro que eu queria que se passasse no Pantanal. Só que eu não sou especialista em geografia do Pantanal, em biologia do Pantanal, em antropologia do Pantanal. Então, eu fiquei dois anos estudando, indo atrás, procurando livros, indo em jornais para ver edições antigas, matérias sobre o Pantanal, para escrever um livro que se passava no Pantanal. Se eu quisesse fazer esse livro agora, o computador me fornece tudo o que eu quiser. Eu pergunto e ele me responde certo, porque tem toda a informação lá. Então só vai ajudar. Eu posso perguntar o que quiser sobre o Pantanal e dá muito mais rápido, perfeito e certo. Tão certo quanto seria uma enciclopédia viva, porque o computador passou a ser uma enciclopédia perfeita e viva. Havia um sonho de dois franceses, no século XIX, de fazer uma enciclopédia que reunisse todo o conhecimento humano. Mas eles imaginavam uma enciclopédia impressa, né? Isso é impossível, porque quando você imprimiu uma coisa, aconteceram várias novidades. Agora existe essa enciclopédia atual. As notícias de ontem já estão na enciclopédia. Então, isso só nos ajuda. Só vai ser melhor. Agora, substituir, como é que pode substituir o ser humano? Não substituirá. E o robô nos substituirá? Não, nos ajudará, como ajuda. Os robôs já existem, já nos ajudam. A tecnologia nos ajuda a caminhar cada vez mais rapidamente para a felicidade e para a paz. VÍDEOS: Tudo sobre Santos e Região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/09/06/atracao-da-bienal-do-livro-pedro-bandeira-fala-sobre-nova-obra-carreira-e-ia.ghtml


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