Caso Thawanna: Justiça arquiva processo por resistência contra marido de mulher morta por PM em SP

  • 05/05/2026
(Foto: Reprodução)
Exclusivo: imagens das câmeras corporais de PM mostram ação que acabou com morte de mulher A Justiça de São Paulo arquivou o processo contra o marido de Thawanna Salmázio, morta pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira em 3 de abril, na Zona Leste da capital. Luciano Gonçalves dos Santos respondia pelo crime de resistência. Thawanna caminhava pela rua com o marido quando o braço dele tocou o retrovisor de uma viatura em patrulhamento. O PM que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua, dando início a uma discussão que terminou com o assassinato da mulher. Na época, a polícia registrou um termo circunstanciado por resistência contra Luciano. Porém, segundo o Ministério Público, não há provas de que Luciano tenha agido com violência contra os policiais. “Não há nos autos comprovação pericial de lesões corporais sofridas por qualquer dos policiais, tampouco outro elemento técnico que evidencie o emprego de violência por parte do investigado”, afirmou a promotora Ana Luisa Toledo Barros. Vídeo de câmera corporal mostra que mulher morta por PM na Zona Leste de SP não encostou em retrovisor e nem iniciou briga Reprodução A promotora também afirma que o comportamento de Luciano — ao tentar se desvencilhar dos policiais após sua esposa ser baleada — é "compatível com a situação de tensão decorrente da abordagem violenta dos policiais". Ela destacou ainda que o crime de resistência não se configura por “mera exaltação verbal ou reação emocional do abordado”. Na decisão, publicada em 26 de abril, a promotora ainda ressalta que Luciano é testemunha do homicídio a própria esposa. Morte de moradora Polícia Civil apura demora no resgate de Thawanna Ela foi baleada durante a abordagem, na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes. Thawanna caminhava com o marido quando o braço dele tocou o retrovisor de uma viatura. O policial deu ré e iniciou uma discussão com o casal. A policial Yasmin, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura. Nas imagens registradas pela câmera corporal do motorista, é possível ouvir Thawanna dizendo à militar para não apontar o dedo para ela. Em seguida, foi efetuado o disparo. "Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?", questionou o também soldado Weden Silva Soares. Yasmin respondeu que atirou porque a moradora teria dado um tapa na cara dela. A ação policial foi marcada por abusos e violência desde o primeiro contato, segundo especialistas ouvidos pelo g1, e se configurou como uma “briga” entre agentes e civis, não uma abordagem, além de desrespeitar protocolos da Polícia Militar. Na época, a soldado Yasmin estava na etapa final do estágio na corporação e fazia patrulhamento nas ruas havia cerca de três meses. Ela não usava uma câmera corporal. Thawanna esperou mais de 30 minutos pelo resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo. O atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. Ouvidoria pede que corregedoria da PM investigue omissão de socorro no caso da morte de Thawanna, em Cidade Tiradentes 30 minutos separaram tiro e resgate Uma sequência de registros oficiais e imagens de câmera corporal aos quais a TV Globo teve acesso revela como se deram os mais de 30 minutos entre o disparo que atingiu Thawanna da Silva Salmázio e a chegada do resgate, na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. Às 2h59, por meio do registro feito pela câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, é possível ouvir o som do tiro dado pela PM Yasmin Cursino Ferreira. Na sequência, ainda com a vítima no chão, o policial questiona a colega: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?” A policial responde: “Ela deu um tapa na minha cara”. Linha do tempo do atendimento de mulher morta pela PM em SP Reprodução Segundos depois, o próprio soldado chama o Centro de Operações da Polícia Militar: "Copom, Rua Edimundo Audran, aciona o resgate”. O pedido é reforçado pouco depois: “Copom, aciona o resgate, Edimundo Audran. Menina baleada”. Apesar dos pedidos imediatos, o Copom acionou a central do Corpo de Bombeiros apenas às 3h04, cerca de cinco minutos após a solicitação do PM. Nesse intervalo, o soldado volta a reforçar o pedido de socorro: “Reitero o resgate, Copom”. Às 3h06, uma viatura de resgate dos Bombeiros foi inicialmente empenhada para a ocorrência; Seis minutos depois, às 3h12, essa ambulância foi substituída por outra. Durante esse período, o policial volta a demonstrar preocupação com o tempo de espera: “O resgate vai demorar? “Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate? Copom, reitera o resgate pra Edimundo Audran”. A segunda ambulância designada para a ocorrência saiu da base às 3h17; Ela chega ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o pedido inicial de socorro; Às 3h37, a ambulância deixa o local; A viatura chega ao hospital às 3h40, três minutos após sair da ocorrência; No entanto, a ajudante-geral não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/05/caso-thawanna-justica-arquiva-processo-por-resistencia-contra-marido-de-mulher-morta-por-pm-em-sp.ghtml


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