Com fósseis de 280 milhões de anos, projeto para geoparque em SP busca selo internacional

  • 04/05/2026
(Foto: Reprodução)
Projeto busca selo internacional para geoparque no interior de SP após encontro de fósseis Um projeto da Universidade Estadual Paulista (Unesp) trabalha há 10 anos para criar um geoparque em nove cidades do interior de São Paulo, em uma área onde foram achados fósseis do Mesosaurus, réptil aquático que viveu na Terra há 280 milhões de anos. Na época, a região era fundo do mar. O projeto será submetido ao selo de Geoparque Global pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Se aprovado, será o primeiro no estado e sétimo no Brasil. Um geoparque é um território que possui ligação entre si e importância cultural e geológica. No caso do projeto do Geoparque Corumbataí, são áreas com fósseis, cachoeiras, museus, morros, trilhas, rochas e florestas que ficam no território da Bacia do Rio Corumbataí. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Dez anos de trabalhos O Geoparque Corumbataí é desenvolvido desde 2016 e reúne nove municípios: Analândia, Charqueada, Cordeirópolis, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Piracicaba, Rio Claro e Santa Gertrudes. No local, um fenômeno raro: o encontro de dois cursos d'água, um de frente para o outro. Os rios Passa-Cinco e Cabeça, afluentes do Corumbataí, se encontram na zona rural de Ipeúna. Após encontro de fósseis de 280 milhões de anos, projeto quer criar geoparque no interior de SP EPTV/Reprodução "Os rios se encontram no formato de Y, né? Mais ou menos 45 graus, [mas] aqui não. Aqui esse encontro é dado por conta de uma estrutura geológica [...] associado com uma falha que forma esse encontro, gera esse encontro a 180 graus, essa confluência", disse o geólogo Mateus Lisboa. LEIA TAMBÉM: O que falta para o projeto de 1º geoparque do estado de São Paulo ser apresentado à Unesco? Único em SP O geólogo e professor da Unesp, Alexandre Perinotto, explicou que o Brasil tem apenas seis geoparques mundiais. O de Corumbataí, por exemplo, é o único no Estado de São Paulo. "E se formos nós, os enviados para a Unesco, a partir deste instante a gente passa a ser geoparque aspirante". Outra etapa é transformar a área em um geoparque mundial. A previsão é que o projeto seja apresentado oficialmente à Unesco em 2027. Com a conquista, a região ganharia visibilidade internacional, impulsionando o turismo e destaque às cidades envolvidas. Pesquisadores encontraram fósseis do Mesosaurus, réptil aquático que viveu na Terra há 280 milhões de anos, em área onde querem criar geoparque EPTV/Reprodução Na quarta-feira (29), pesquisadores, entre eles, a Paula Cusinato, presidente da Associação Geoparque de Uberaba (MG), reconhecido há dois anos pela Unesco, visitaram pontos de interesse para o projeto. Ela mencionou as transformações no território mineiro após a conquista. "O principal, que eu vejo hoje, é a comunidade que começou a se apropriar do território, criar mesmo sentimento de pertencimento e a gente ganhou várias instituições parceiras que começam a apoiar e incentivar", afirmou Paula. Nascido em Piracicaba (SP), o coordenador de Relações Internacionais do geoparque Unzen, no Japão, também participou da visita. "O geoparque começa com a geologia, ele começa dentro da academia, mas acho que ele ganha vida mesmo nas comunidades. Então acho que é importante que as pessoas venham para cá, elas olhem, entendam, aprendam sobre a região", disse Rhandrus Nicolai de Almeida Kantovitz. Pesquisadores da Unesp buscam selo de reconhecimento da Unesco para criação de Geoparque Corumbataí EPTV/Reprodução De acordo com os pesquisadores, o projeto não é só uma questão de preservação, mas pode impulsionar o desenvolvimento da região. Um dos principais setores beneficiados seria o turismo. "Quando você mostra a beleza e conta um pouco da história, você vê que agrega muito para a pessoa que está visitando nossa região", disse o guia da Serra do Itaqueri, Money Wilian Fernandes. ASSISTA A REPORTAGEM COMPLETA: Geoparque Corumbataí busca selo da Unesco para proteger registros de 280 milhões de anos Selo da Unesco Para que o projeto seja formalmente submetido à análise da Unesco e receba o selo de Geoparque Global, é necessário cumprir uma série de requisitos, como apresentação da base científica e engajamento político e social entre a comunidade e poder público. Além disso, é preciso possuir alguns patrimônios internacionais. No caso do projeto Geoparque Corumbataí, o principal patrimônio é o fóssil do Mesosaurus, que foram encontrados tanto na região de Rio Claro, quanto na bacia do Karoo, na África do Sul. Como a anatomia do animal não permitiria que ele atravessasse o Oceano Atlântico, a presença em ambos os continentes é uma das evidências biológicas que comprovam que o Brasil e a África já estiveram unidos no supercontinente Gondwana. Existem 229 geoparques espalhados por 50 países, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Seis estão no Brasil, sendo o pioneiro no Ceará, reconhecido pelo patrimônio de fósseis. Cuesta do Índio em Ipeúna (SP) Divulgação/Projeto Geoparque Corumbataí REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/05/04/com-fosseis-de-280-milhoes-de-anos-projeto-para-geoparque-em-sp-busca-selo-internacional.ghtml


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