Com mais de 300 títulos e 'amparo divino', jovem de Sorocaba troca a carteira assinada pela rima

  • 11/10/2026
(Foto: Reprodução)
Com mais de 300 títulos, jovem de Sorocaba troca emprego formal pela rima “Rimas, Jesus Cristo e Rock 'n' Roll". O lema que destoa do que muitos habitualmente associam ao universo do hip-hop é a assinatura de Ayron de Conti Gonçalves, o Mano Ayron. Nascido e criado em Sorocaba (SP), o jovem de 22 anos tomou uma decisão que muitos considerariam um pouco ousada: pediu demissão do emprego com carteira assinada (CLT) no setor de produção de alimentos para viver exclusivamente do freestyle, o improviso das batalhas de rima. A rima entrou na vida de Mano Ayron quando ele tinha apenas oito anos de idade. Aos 15, ele passou a frequentar os duelos nas praças da cidade, onde decidiu que transformaria os versos em profissão. Hoje, Ayron acumula um currículo com cerca de 370 títulos de batalhas, incluindo o Regional de 2023, o aniversário da tradicional Batalha do Ana Rosa (SP) e as etapas das famosas Batalhas da Aldeia e do Coliseu. O MC contou ao g1 que a virada de chave para deixar o mercado formal de trabalho não foi amparada em planilhas ou garantias financeiras, mas em um pilar estritamente espiritual. “A ideia de deixar o emprego CLT para focar na rima veio única e exclusivamente da fé. A neurose e a incerteza de que a gente vai ter dinheiro necessário para as contas do mês foi o principal desafio no início”, conta o jovem. Em uma batalha de rima, Mano Ayron aparece à esquerda Arquivo Pessoal 🎤 Fé na roda de rima Diferente de estereótipos que costumam afastar o rap da religiosidade, Ayron trata sua espiritualidade de forma aberta. Para o MC, a fé não se prende a dogmas institucionais, mas funciona como a fundação de sua caminhada artística. “As pessoas costumam vincular Deus a uma religião. Deus não está na religião, está dentro de nós. A fé é Deus. Jesus Cristo foi apenas o cara que mais me deixou claro de que forma estar mais perto de Deus”, reflete o jovem sorocabano. Paralelamente às disputas de improviso nos palcos e praças, o MC viu sua audiência se expandir para além dos limites do bairro Éden. No Instagram, onde já ultrapassa a marca de 60 mil seguidores, ele usa a visibilidade impulsionada pelo seu produtor para abordar temas que vão além da competição, como a preservação do bem-estar diário. “Procuro sempre conscientizar sobre saúde mental, física e espiritual. Acho que as pessoas, por conta das dificuldades da vida mesmo, acabam deixando uma dessas de lado, e isso é preocupante. Mas nunca deixo de ressaltar a importância da arte na minha vida”, ressalta Ayron. LEIA MAIS: De Roberto Carlos a trilhas da TV: baterista autista supera limites e faz carreira na música Palhaços, magos e bruxas? Conheça a simbologia por trás das alcunhas que dominam o funk Músico de Itu ganha bolsa de doutorado em universidade de 900 anos que teve Copérnico como aluno 🎤 Das praças às telas: como funcionam as batalhas As batalhas de rima nasceram no coração do hip-hop, na década de 1970, organizadas em rodas de rua e praças públicas como manifestação de arte espontânea e reflexão social. O princípio é direto: dois MCs se enfrentam em rounds, improvisando versos onde o objetivo principal é rimar no compasso da batida e contra-atacar os argumentos do oponente em tempo real. Na dinâmica das rodas culturais, não há separação por divisões físicas ou categorias formais. “Normalmente é uma roda freestyle. Ali na hora da batalha nós não diferenciamos por idade, gênero, peso nem nada físico. O que nos diferencia um do outro é o nível de rima”, explica o MC. Embora o movimento de rua seja a base histórica do formato, o avanço nas redes sociais e das plataformas de vídeos nos últimos anos transformou batalhas locais em fenômenos de audiência. Transmissões ao vivo, cortes de rimas marcantes e duelos virais aproximaram o estilo de gerações mais jovens e garantiram rentabilidade para os artistas. Para Mano Ayron, o equilíbrio entre a rotina de treinos, o palco e o engajamento digital faz parte da criação de redes genuínas. Ele destacou que estar no palco é confortante e que saber que há pessoas que amam a arte, o hip-hop, e sabem usar isso para chegar a mais pessoas é muito incrível. “Quando você é um artista, é natural que mais pessoas se inspirem em você e queiram te acompanhar mais. Aprender a administrar a troca de ideia com o seu respectivo público, seja sobre o seu trabalho, ou não, é sobre criar conexões genuínas e reais”, declara. Com mais de 300 títulos e 'amparo divino', jovem de Sorocaba troca a carteira assinada pela rima Arquivo Pessoal *Colaborou sob supervisão de Eric Mantuan Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/10/11/com-mais-de-300-titulos-e-amparo-divino-jovem-de-sorocaba-troca-a-carteira-assinada-pela-rima.ghtml


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