Estudantes da Unicamp em Limeira entram em greve por moradia e melhorias no campus

  • 06/05/2026
(Foto: Reprodução)
Campus da Unicamp, em Limeira Reprodução/Prefeitura do Campus da Unicamp de Limeira Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Limeira (SP), entraram em greve nesta terça-feira (5) e suspenderam as aulas de graduação a partir de quarta (6). A paralisação foi aprovada e foi aderida por cerca de 3 mil alunos da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e da Faculdade de Tecnologia (FT), informou Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico (DA). O principal pedido dos estudantes é a criação de uma moradia estudantil no campus de Limeira, mas eles também reivindicam: Bolsas e ações para garantir permanência Melhorias no transporte dentro e entre os campi Acesso a serviços de saúde especializada e mental Implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES), já existente em Campinas Espaço físico para centros acadêmicos e diretórios Fim da terceirização de serviços Contra a autarquização do Hospital de Clínicas Segundo o representante do Diretório Acadêmico, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil. Em nota, a Unicamp informou que mantém diálogo com os estudantes e as direções das faculdades de Limeira. A universidade também afirmou que prioriza políticas de permanência, como moradia, transporte e auxílios, e que busca melhorias dentro do orçamento disponível. A reitoria disse ainda que valoriza o ambiente acadêmico e a formação dos alunos. Estopim da greve O motivo da greve foi a falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada na segunda-feira, informou o representante do Diretório Acadêmico. 🔎 O Cruesp é formado pelos reitores da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp. "A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp dessa última segunda-feira. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo colocada de lado [...] percebemos, então, a necessidade de fazer uma movimentação um pouco maior", afirma o representante do DA. Como funciona a greve? A greve suspende as aulas de graduação, mas mantém o acesso a bibliotecas, laboratórios, grupos de estudo e atividades de pesquisa. Segundo Guglielmoni, piquetes são realizados para garantir a paralisação das aulas, mas outras atividades seguem normalmente. Guglielmoni explicou que o movimento grevista enviou comunicados às diretorias das faculdades informando sobre o protesto. Em alguns casos, como na FCA, a diretoria acatou a paralisação e orientou os professores a não darem aula, mas há casos de embates com professores. 🏠 Moradia estudantil O reitor Paulo Cesar Montagner anunciou estudos para construir alojamentos no campus, em agosto de 2025. Mas, segundo Guglielmoni, ainda não há grupo técnico para o projeto. O representante do Diretório Acadêmico ainda informou que os estudantes criticam a falta de verba para moradia. "Eles dizem [...] que não temos verba, nós não temos recurso para fazer com que a moradia aconteça", afirma Guglielmoni. Moradia mais cara Outro problema apontado é o aumento do custo de vida no entorno do campus, causado pela especulação imobiliária. Hoje, 452 estudantes recebem Bolsa Auxílio Moradia, no valor de R$ 725 mensais, mas o benefício não cobre todos os gastos. "Existe uma especulação imobiliária muito grande aqui na região. Há também uma questão de gentrificação. Então, a estrutura em volta da cidade universitária, que é justamente o local onde existe mais moradias dedicadas a estudantes, ela começa a ficar cada vez mais cara. Então, a vida do estudante começa a ficar muito cara", informa Guglielmoni. Gentrificação: transformação urbana em que bairros populares ou degradados recebem investimentos que valorizam imóveis e elevam o custo de vida. Transporte Os alunos também reclamam do sucateamento do transporte interno. Segundo Guglielmoni, ônibus foram substituídos por micro-ônibus e, depois, por vans. Há atrasos frequentes e o aplicativo de rastreamento não funciona. O ônibus entre Limeira e Barão Geraldo também exige reserva antecipada, dificultando o uso em emergências. Saúde Na área da saúde, os estudantes pedem mais acesso a especialidades médicas e ampliação do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica (SAP). Guglielmoni afirmou que o campus de Limeira não tem agenda fixa para atendimento, ao contrário da unidade em Campinas. Vídeos em alta no g1 Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/05/06/estudantes-da-unicamp-em-limeira-entram-em-greve-geral-por-moradia-e-melhorias-no-campus.ghtml


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