Faca no pescoço, vídeos íntimos vazados e ameaças: a escalada de violência de ex que atropelou jovem em SP
05/07/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito de atropelar ex-namorada em Patrocínio Paulista, SP, se apresenta à polícia
O atropelamento de uma jovem de 21 anos e do atual namorado dela em Patrocínio Paulista (SP) foi precedido por uma sequência de registros policiais, relatos de ameaças, divulgação de vídeos íntimos, agressões e pedido de proteção à Justiça.
O investigado é Carlos Henrique Lima da Silva, de 22 anos, ex-namorado da jovem. Ele é suspeito de atropelar a ex e o atual namorado dela na madrugada do último dia 22 de junho (Leia mais abaixo).
Em 2023, aos 18 anos, a jovem conheceu Carlos Henrique e passou a morar com ele em Patrocínio Paulista.
Após ciúmes e ameaças com faca, o casal se separou pela primeira vez em outubro de 2025.
Em dezembro de 2025, um boletim de ocorrência foi registrado contra Carlos por vazar vídeos íntimos da jovem após o fim do namoro.
Carlos agrediu o então namorado da ex e invadiu sua casa em janeiro de 2026, motivando pedido de medida protetiva.
Entre fevereiro e maio de 2026, o casal reatou, mas terminou após a jovem descobrir outra relação do ex.
Em junho de 2026, antes do crime, Carlos enviou flores e presentes tentando reatar, mas a jovem recusou a reconciliação.
Na noite de 21 de junho de 2026, Carlos invadiu a casa da ex, pegou as chaves e atropelou o casal de carro.
Após o atropelamento, a Justiça concedeu nova medida protetiva proibindo Carlos de se aproximar da ex e da família.
O caso é investigado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio qualificado e feminicídio.
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Antes de atropelar ex em Patrocínio Paulista, suspeito já havia ameaçado vítima de morte
Arquivo pessoal
Imagens de câmeras de segurança mostram o carro atingindo a moto em que o casal estava. Os dois ficaram feridos, foram socorridos e não correm risco de morte.
Segundo o delegado Alan Basalia Lopes, o inquérito sobre o atropelamento aguarda a conclusão dos exames periciais do Instituto Médico Legal (IML) das vítimas, da perícia dos veículos envolvidos e da perícia feita no local.
A Polícia Civil também apura, em outro inquérito, a divulgação de vídeos íntimos da vítima.
A defesa do acusado sustenta a tese de acidente de trânsito. A advogada Sandra Mara Domingos não representa Carlos Henrique no processo de vazamento íntimo.
O g1 reuniu informações do processo, prints e uma entrevista com a mãe da vítima, Dalila Patricia Ferreira, para traçar o histórico de violência que culminou no caso do atropelamento.
Relacionamento e afastamento da família
Segundo Dalila, a filha conheceu Carlos Henrique quando tinha 18 anos, em 2023. Após meses de namoro, foi morar com ele em Patrocínio Paulista, primeiro na casa dos pais dele e depois em uma casa alugada.
A mãe afirma que, nesse período, passou a ter pouco contato presencial com a filha e chegou a ficar sete meses sem vê-la.
Dalila relata que percebeu mudança no estado físico da jovem em uma das visitas.
“Ela estava pesando 40 quilos. Quando saiu da minha casa, estava com quase 60. Eu levei um susto da magreza que ela estava”, afirma.
Segundo a mãe, a filha dizia que estava emagrecendo por causa da rotina de trabalho em uma granja, mas a família passou a desconfiar de que havia algo errado no relacionamento.
Carlos Henrique de Lima da Silva, suspeito de atropelar a ex e o namorado dela de propósito em Patrocínio Paulista, SP
Lindomar Cailton/EPTV
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Ameaças e separação
Dalila afirma que, ainda durante o relacionamento, Carlos Henrique passou a demonstrar ciúmes e a acusar a filha de traição.
Segundo a mãe, em um dos episódios, ele colocou uma faca no pescoço da jovem após desconfiar que ela estava se envolvendo com outra pessoa. A mãe diz que só soube da gravidade do episódio depois.
“Ela me contou depois que ele estava com uma faca no pescoço dela, falando que ia matar, que ia tirar a vida dela”, afirma Dalila.
De acordo com a decisão judicial de medida protetiva, a vítima e Carlos Henrique estavam separados desde novembro de 2025. No entanto, segundo a mãe, eles voltaram a se relacionar entre fevereiro e maio de 2026.
Vídeos íntimos
Um boletim de ocorrência registrado em 8 de dezembro de 2025 aponta Carlos Henrique como autor em uma apuração por divulgação de cena de nudez, sexo ou pornografia.
Segundo Dalila, o material foi compartilhado após o fim do relacionamento da filha com o investigado e depois que ela iniciou outro namoro.
Ex-namorado vazou vídeo íntimo de vítima em Patrocínio Paulista, SP
Arquivo pessoal
“Ele começou a mandar vídeos íntimos dela para outras pessoas. Minha filha ficou desesperada. Ela não conseguia mais levar uma vida normal por causa da exposição que estava sofrendo”, afirma.
A Polícia Civil confirmou ao g1 que há um inquérito específico para apurar a divulgação dos vídeos íntimos.
Agressão contra namorado e invasão de casa
Em termo de declarações prestado à Polícia Civil em 5 de janeiro de 2026, o então namorado da vítima relatou que foi interceptado por Carlos Henrique e por outro rapaz quando seguia para buscar a jovem no trabalho.
Segundo o documento, o outro rapaz tentou usar um dispositivo de eletrochoque contra ele, enquanto Carlos Henrique deu um soco. O declarante também afirmou que os dois fizeram ameaças de morte.
Ainda de acordo com o termo, depois da agressão, os dois foram até a casa onde a vítima morava, invadiram o imóvel e danificaram objetos.
No mesmo dia, a jovem prestou declarações à Polícia Civil e, segundo a mãe, pediu uma medida protetiva de urgência.
Também relatou que prints de uma suposta conversa foram encaminhados à mãe do então namorado e disse suspeitar que a conta dela no Instagram havia sido acessada sem autorização.
Segundo Dalila, a medida foi posteriormente concedida e estava em vigor durante o período que eles reataram.
Print de conversa da mãe do suspeito de atropelar a ex e o namorado dela em Patrocínio Paulista, SP
Reprodução/WhatsApp
Relacionamento foi reatado
Segundo a mãe da jovem, após o registro do boletim de ocorrência sobre o vazamento dos vídeos íntimos e a briga envolvendo o então namorado, a filha ainda retomou o relacionamento com Carlos Henrique por um breve período.
A reaproximação, afirma, ocorreu entre fevereiro e maio de 2026 após ele entrar em contato por meio do perfil de um amigo em uma rede social. Ainda segundo Dalila, a reconciliação terminou depois que a filha soube que o ex mantinha outro relacionamento em São Paulo.
Em junho, de acordo com a mãe, Carlos voltou a procurar a jovem, enviou flores e presentes e tentou reatar o namoro.
Ela afirma que a filha recusou a proposta e informou que não queria retomar o relacionamento. No dia seguinte, segundo a investigação da Polícia Civil, ocorreram a invasão da casa da vítima e o atropelamento do casal.
Carro passa por cima de moto com dois ocupantes em Patrocínio Paulista, SP
Reprodução/Câmeras de segurança
Atropelamento
Na noite de 21 de junho, segundo a decisão judicial que concedeu medida protetiva, Carlos Henrique foi até a casa da vítima dizendo que queria retirar pertences pessoais.
Ainda conforme o relato registrado na decisão, houve uma discussão, e o investigado passou a agir de forma agressiva, segurou a jovem pelo pescoço, a empurrou, entrou na casa sem autorização e saiu levando as chaves da residência.
Por orientação da mãe do investigado, segundo a decisão, a vítima e o atual namorado deixaram a casa temporariamente e foram para uma arquibancada da cidade enquanto aguardavam a devolução da chave.
Ao retornarem, conforme a decisão judicial, eles trafegavam pela Avenida Diamante quando viram o veículo conduzido por Carlos Henrique. O documento afirma que o carro avançou contra a moto em que os dois estavam.
A jovem sofreu ferimento no queixo, precisou de sutura e teve escoriações. O namorado dela também sofreu escoriações.
Segunda medida protetiva
Após o atropelamento, a Justiça concedeu outra medida protetiva em favor da jovem.
A decisão proibiu Carlos Henrique de se aproximar dela, de familiares e de testemunhas a menos de 300 metros. Também proibiu qualquer tipo de contato por telefone, carta, internet ou outros meios.
A Justiça também proibiu o investigado de frequentar locais ligados à vítima, como o local de trabalho, espaços de convivência e transporte público.
Na decisão, o juiz Daniel Diego Carrijo afirmou haver elementos indicando que a jovem sofre um ciclo de violência.
*Sob supervisão de Thaisa Figueiredo e Lucas Zanetti
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