Galã dos anos 1990, Oscar Magrini relembra assédio em 'O Rei do Gado' e fala sobre vontade de voltar às novelas

  • 18/10/2026
(Foto: Reprodução)
Oscar Magrini interpretou Ralf, em 'O Rei do Gado' Reprodução/Memória Globo e Arquivo Pessoal Oscar Magrini, de 65 anos, ficou conhecido nacionalmente após interpretar o vilão Ralf, na novela 'O Rei do Gado', da TV Globo, em 1996. Em entrevista ao g1, o ator contou que era muito assediado pelo público, que, segundo ele, acaba confundindo o artista com o personagem. "O Ralf só tinha 30 capítulos de vida, mas fez tanto sucesso que me mataram no 135 e virou 'quem matou o Ralf?'. Não era para ser nada disso. Eu consegui fazer de um cafetão, de um cara que batia em mulher, violência contra mulheres, ser um cara marcado até hoje. Já faz 30 anos e as pessoas não esquecem. Então, deixei minha marca na televisão brasileira", afirmou Magrini. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Nascido e criado em Santos, no litoral de São Paulo, o ator fez mais de 40 novelas, 30 filmes e 15 peças de teatro ao longo dos 36 anos de carreira. Longe da televisão brasileira desde 2021, ele afirmou que tem vontade de voltar, mas precisa de um convite e de boas condições para aceitá-lo. Fantástico: O Rei do Gado - Léia apanha de Ralf em O Rei do Gado (1996) "Não faço mais um galã, mas eu faço um tio, faço um avô, faço um paizão, entendeu? Mas, ficam insistindo nessa coisa de colocar gente nova, molecada nova, colocar influencer [...]. Não preciso fazer novela por enquanto. Se me chamar, ótimo. Se não chamar, eu estou fazendo teatro", disse. Magrini, inclusive, tem viajado o Brasil com a peça 'Troca Ou Não Troca' e se apresenta no Teatro Municipal Procópio Ferreira, em Guarujá (SP), neste domingo (18). O ator também tem se dedicado às novelas verticais, produzidas para assistir pelo celular, além de projetos no cinema. Oscar Magrini ganha indenização de R$ 50 mil por foto usada em carnê de IPTU Durante a entrevista, ele também falou sobre a relação com a Baixada Santista (SP) e o segredo para o casamento de mais de três décadas com a também atriz Matilde Mastrangi, considerada um dos grandes nomes da era da pornochanchada do cinema brasileiro. Veja abaixo: Qual é a sua relação com a Baixada Santista? Você saiu da região para investir na carreira artística? Eu nasci em Santos no dia 2 de setembro de 1961 na Beneficência Portuguesa, às 2h50 da madrugada. Morei em Santos até 1990. Depois, eu casei e mudei. Sou casado há 36 anos. Eu nasci na Rua Carvalho de Mendonça. A minha casa era muito grande e meu pai vendeu a casa para o colégio Ateneu Santista. Aí eu fiquei dois anos e meio no bairro Marapé e meu pai comprou a casa na Euclides da Cunha, Canal 1. Eu tinha 11 anos de idade, e hoje funciona o Espaço Cultural Oscar Magrini. Nessa minha casa, me formei em Educação Física na Fefis, e aí eu dei aula no Saldanha da Gama, montei toda a academia do Saldanha da Gama de 1982 a 1987. Eu trabalhava na Sabesp, Saneamento Básico do Estado de São Paulo, das 7h às 18h. Às 18h, eu ia para o Saldanha dar aula de ginástica até às 22h. Em 1987, eu montei a minha locadora de vídeo, eu e a minha irmã, chamava-se Videoteca, e aí montei uma academia de ginástica. Fiquei um ano e pouco lá, depois vendi meus pesos, vendi minha locadora e fui batalhar para fazer teatro. Ensaiava 12 horas por dia. Tinha um Fiat Uno, dividia com quatro atores para rachar gasolina, Santos e São Paulo todo dia, ensaiar 12 horas por dia para não ganhar nada. Aí teve um anúncio no jornal que a atriz Matilde Mastrangi estava produzindo uma peça, 'Uma Ilha Para Três', [...] e tinha um teste para ator. Eu era modelo, fazia filmes publicitários, fotos e desfiles nessa onda. Aí eu fui fazer o teste e passei na frente de 20 atores. Então, em 1990, eu fiz a minha primeira peça profissional, 'Uma Ilha Para Três'. Em 1991, meu primeiro filme, 'Perfume de Gardênia', de Guilherme de Almeida Prado. Em 1992, minha primeira novela, 'Deus Nos Acuda', de Silvio de Abreu, na Globo. E aí eu não parei mais. São 36 anos de carreira, são 40 novelas, eu estou viajando no Brasil com a minha 17ª peça, Troca ou Não Troca, que estará em cartaz dia 18 agora no Guarujá, no Teatro Procópio Ferreira. E eu acabei de fazer o meu 31º filme, 'Saidinha de Natal', do Danilo Gentili. Comédia 'Troca-Troca' com Oscar Magrini será apresentada no Teatro Polytheama em Jundiaí Ronaldo Gutierrez/Divulgação O que te fez trocar a Educação Física e a locadora pelo teatro? Eu montei a Videoteca porque era cinéfilo, eu sempre gostei de cinema. Via novela desde preto e branco, desde criança. Sempre quis fazer televisão, conhecer esses artistas, queria ser amigo deles, trabalhar com eles, e Deus permitiu isso. Uma historinha rápida. Em 1973, teve a primeira versão na Tupi de 'Mulheres de Areia', com Eva Wilma, Carlos Zara e Gianfrancesco Guarnieri. Muito bem. Enchi o saco da minha mãe que eu queria fazer a gravação. A gravação dessa novela era na Praia do Sonho, em Itanhaém. Aí foi minha mãe, meu irmão, minha irmã, fomos lá de ônibus até Itanhaém, não tinha gravação nenhuma. Mas, eu fui na Praia do Sonho e eu vi a casinha da Ruth e Raquel, porque aparecia na televisão para a gente. As externas eram na Praia do Sonho, em Itanhaém, depois para o estúdio da Globo. Muito bem, isso foi em 1973. Vinte anos depois, eu fiz 'Mulheres de Areia' com Carlos Zara. Era uma coisa que tinha que acontecer. Vinte anos depois que eu fui menino assistir as gravações, eu estava fazendo a própria novela, a segunda versão de 'Mulheres de Areia' em 1993. Você interpretou Martim Afonso de Souza na Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, considerado o maior espetáculo teatral de praia do mundo. Como foi voltar à região onde nasceu e dar vida a uma figura tão importante para a história do Brasil? Essa figura tão importante para a história que eu processei até a prefeitura. Em 1999, eu fiz o Martim Afonso de Sousa. Em 2000, naquela virada do milênio e tal, eu interpretei Pedro Álvares Cabral. Aí em 2014, eu fiz de novo o Martim Afonso de Sousa. Nessa vez que me prejudicaram, que eu acho que foram fazer de sacanagem, minha figura estampada no carnê de IPTU. Isso foi em janeiro, uma amiga me liga em novembro: "Ei, Magrini, é importante mesmo, hein? Recebi você aqui em casa". Como assim? Não entendi. "Moro em São Vicente. Recebi o carnê de IPTU e você está na capa como Martim Afonso". "Eu estou na capa? Manda uma foto". Aí já meti o processo, já ganhei as três instâncias, já faz oito anos, estou para receber os precatórios. Semana passada meu advogado ganhou a segunda causa, que era o uso indevido de imagem. Então, foi R$ 50 mil, mas já está em R$ 290 mil esse negócio. Eu processei porque foi uso indevido de imagem, mas está tudo bem. Eu adorei fazer o Martim Afonso de Sousa, é uma emoção incrível. Oscar Magrini processou a Prefeitura de São Vicente por uso de imagem em carnê de IPTU Alexsander Ferraz/AT e g1 Santos Você ficou muito conhecido como galã nos anos 1990, especialmente por personagens como Ralf. Como foi viver aquele momento de popularidade? Você sentia que o público confundia o ator com os personagens? Sempre confundiam. Nessas 40 novelas, 'O Rei do Gado' foi em 1996, hoje faz 30 anos. Então, eu tinha muito assédio, era muito assediado, mas o homem não podia reclamar de assédio, senão achavam que era gay. Desde então, até hoje as pessoas falam: "Ei, Rei do Gado. Fala, Ralf". "Rei do Gado, não. Sócio dele". Eu brinco, né? Faz 30 anos e a mulherada não esqueceu. Sempre reprisa porque é uma obra do Benedito Ruy Barbosa fantástica, onde o meu personagem, o Ralf, só tinha 30 capítulos de vida, mas fez tanto sucesso que me mataram no 135 e virou "quem matou o Ralf?". Não era para ser nada disso. Eu consegui fazer de um cafetão, de um cara que batia em mulher, violência contra mulheres, ser um cara marcado até hoje. Já faz 30 anos e as pessoas não esquecem. Então, deixei minha marca na televisão brasileira. Ao longo desses 36 anos de carreira, você passou por novelas de grande repercussão, cinema e teatro. Qual trabalho mais marcou sua trajetória e por quê? Tem exatamente esse que nós estamos conversando. Há 30 anos, o Ralf, do 'Rei do Gado'. Dois anos depois, 'Torre de Babel' quando eu fazia o Johnny Percebe, o Augustinho. O 'Rei do Gado', o Ralf, era mais forte o personagem do que ator. As pessoas falavam: "Quem fez o Ralf, aquele cafetão, como é?", "O Oscar Magrini". "É. Esse ator, o Oscar Magrini". O Ralf é mais conhecido que o Oscar Magrini. Dois anos depois, eu fiz uma novela do Silvio de Abreu, 'Torre de Babel', onde eu trabalhava no ferro velho com Juca de Oliveira, Tony Ramos. Aí todo mundo falava: "E aí, Magrini. Fala, Percebe". Aí já era o Oscar Magrini que fazia o Percebe, entendeu? De todos os personagens, o que eu guardo lá em cima na prateleira, que me deu visualização, me deu credibilidade e fiquei conhecido tanto no Brasil como no exterior, porque a Globo vende para 196 países. Foram esses dois, o 'Rei do Gado', o Ralf, em 1996 e 'Torre de Babel', Johnny Percebe, em 1998. Aí depois já era o Oscar Magrini, veio essa coisa toda e onde eu vou as pessoas, eu vou de boné, de óculos. "Não adianta disfarçar não, reconheci pela voz". "Ah, reconheceu pela voz? Eu não posso dar trote?". "Não, sua voz é conhecida". Então, quando eu vou no Brasil e lá fora, as pessoas conhecem bem. Há cinco anos, eu faço um trabalho de apresentar prêmios internacionais, Paris, Roma, Nova York, Londres, Bruxelas, na Bélgica, e Londres. Então, eu vou direto todo ano, esse ano já fui para Paris, ainda falta Londres. Vou duas ou três vezes para o exterior apresentar um prêmio. Por quê? Por causa do reconhecimento do Oscar Magrini, que é conhecido, por causa da novela, dos meus trabalhos. Então, isso é muito legal. Oscar Magrini em 'Torre de Babel' e atualmente Reprodução/TV Globo e Arquivo Pessoal Tem vontade de voltar à televisão? O que precisaria acontecer para esse retorno? Eu digo assim, que graças a Deus, eu continuo trabalhando e Deus abrindo portas, porque na nossa profissão é muito difícil você chegar, mas não é impossível. O mais difícil ainda é permanecer na profissão porque eu já tive 30, o Ralf tinha 35, eu tive 40, já tive 50, eu estou com 65 anos. Eu não faço mais um galã, mas eu faço um tio, faço um avô, faço um paizão, entendeu? Mas, ficam insistindo nessa coisa de colocar gente nova, molecada nova, colocar influencer. Eu estou comentando uma coisa que eu escuto, o meu Instagram é aberto. Então, as pessoas falam: "Nossa, eu gosto das novelas antigas, você tem que voltar para as novelas". Eu também quero, mas preciso ser chamado. O salário diminuiu, eu sou de São Paulo, eu preciso de uma passagem aérea, eu preciso de um hotel. Então, são gastos. A não ser que queiram muito mesmo, eles me chamam e pagam isso, mas eu não preciso fazer novela por enquanto. Se me chamar, ótimo. Se não chamar, eu estou fazendo teatro, viajando pelo Brasil com a peça 'Troca ou Não Troca'. A última vez que eu fiz um seriado foi no Multishow, em 2021. Aí depois não fiz mais novela, só filmes. De lá para cá, eu fiz seis, sete filmes e teatro. Peça é a segunda peça já, eu fiz o 'O Vison Voador' e o 'Troca ou Não Troca', então as duas juntas já são quatro anos de teatro. Junto com o cinema e esses prêmios internacionais que eu te falo. Lógico, eu gostaria de fazer novela, a novela é muito bacana. A cultura brasileira é televisiva. Primeiro lugar, está a televisão, depois está o cinema e não faltando tempo, dinheiro e vontade você vai para o teatro, infelizmente. Mas, eu continuo fazendo muita publicidade. Se você ver o meu Instagram, eu tenho um monte de publicidade que eu faço por ser Oscar Magrini, por ter uma idoneidade, por ser um cara responsável, já casado há muito tempo, trabalho, então isso que é legal na profissão, é o reconhecimento. É gratificante. Oscar Magrini na peça 'O Vison Voador' Divulgação Além do teatro e do cinema, você também participou de 'Esposa de Mentirinha', uma novela vertical feita para celular. O que muda na atuação e como enxerga o futuro desse formato? O que está acontecendo? São essas novelas que estão dando emprego para muita gente. Por quê? Se eles quiserem chamar o pessoal da terceira idade, vamos dizer, 50, 60, é meio difícil na televisão, eles pegam só jovens, não é? Então, muita gente precisa ter o plano B na minha profissão. Cada um parte para uma coisa. Graças a Deus, eu continuo trabalhando, fazendo teatro, fazendo filme, seriado. Fiz uma novela vertical, adorei, porque é bem diferente daquelas novelonas. É tudo na mão, errou, vai, continua, tudo rápido, prático, é novelinha de uma hora. Eles pagam pouco, mas está dando trabalho para muita gente. Isso que é legal. Fiz a primeira e vai rolar a segunda aí. Após passar por diferentes fases do audiovisual brasileiro, existe algum personagem ou tipo de trabalho que ainda sonha fazer? Eu nunca fui protagonista, eu era antagonista e coadjuvante em todas as novelas que eu fiz, são 40 com duas em Portugal. Em Portugal, na verdade, fui protagonista de duas novelas, foi muito bom. Acho que Deus está no comando. Eu só agradeço o que acontece comigo, só peço saúde e energia para continuar essa minha atividade com a graça de Deus. É louca, ninguém aguenta. A minha mulher fala: "Você não tem mais 30 anos, é um senhor de 65". Mas minha cabeça é de 25 e a gente vai em frente. O que eu quero fazer? Eu não sei. Eu gosto de tiro, porrada e bomba porque bonzinho eu já sou, gosto de fazer um vilão. Vilão que é tudo de bom, é isso que eu gosto. Então, se pintar uma oportunidade de voltar à novela e fazer um grande vilão, eu adoraria. Oscar Magrini é casado com a atriz Matilde Mastrangi Arquivo Pessoal Durante a entrevista, você comentou algumas vezes sobre estar casado há 36 anos. Qual é o segredo para um casamento duradouro? Já sou avô. A minha filha mora em Michigan, mora nos Estados Unidos, nasceu minha netinha, ontem fez 1 ano e 1 mês. A Sofia. Não tem segredo. Eu falo há anos que a minha mulher tem uma paciência enorme. Vai direto lá para cima. Acho que conversar, ter um diálogo e prestar atenção no outro porque são pessoas distintas. Um homem e uma mulher são pessoas completamente diferentes. Ela gosta de uma coisa, eu gosto da outra, então a gente cede aqui, cede ali. Ela não gosta dos filmes que eu assisto. Ela gosta de romance e comédia, então eu assisto romance e comédia, mesmo não curtindo. Às vezes eu curto, às vezes eu gosto sim, não a grande maioria, mas eu curto mais para fazer companhia. Mas, ela não faz o mesmo comigo porque ela detesta os filmes que eu assisto, e assim vai se levando. Ela é ótima e ela sempre fala: "Ainda bem que você não é um marido tradicional, que se fosse um marido tradicional já estava separado". A minha vida não tem rotina, eu não paro em casa, como diz a minha mulher: "Você só vem em casa para trocar de mala", porque graças a Deus o meu trabalho é vem e volta de teatro, troco de mala, venho, saio de novo. Você também falou sobre a falta de oportunidade com o decorrer da idade. Como tem sido a sua relação com o envelhecimento? Eu não gosto de fazer procedimento na cara, essas coisas. Não me chamem para fazer botox, fazer nada. O negócio é ativação no colágeno. O colágeno com os 25, 30 anos começa a perder, então você tem que agitar. O que eu faço é esse tal de Fotona. O Fotona é só laser, nada que introduz, nada de enfiar cano, agulha, isso eu não gosto. Então, eu faço Fotona que é para ativar e é uma coisa imediata. Eu faço hoje, uma, duas horas, aí daqui 15, 20, 30 dias que vai aparecer o resultado. Nada agressivo, só externo. É o que eu faço. Eu continuo fazendo ginástica, musculação, ando para lá e para cá, tento fazer esporte, preciso voltar a lutar que eu parei, fazia krav maga, eu preciso voltar com a atividade. E às vezes eu nem vou muito para a ginástica, eu mais falto do que vou porque eu não tenho essa neura: "Ah, eu vou viajar, vou para Cuiabá, onde tem academia? Ah, eu vou para o Rio de Janeiro, onde tem academia?". Não, nada disso. Eu vou lá, vou curtir. Se eu não conheço o lugar, eu vou passear, faço meu teatro à noite, volto. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Se fizer o que eu faço, a pessoa vai engordar. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/10/18/gala-dos-anos-1990-oscar-magrini-relembra-assedio-em-o-rei-do-gado-e-fala-sobre-vontade-de-voltar-as-novelas.ghtml


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