Haddad promete usar IA para reduzir filas da saúde, revisar contrato da Sabesp e atribui rejeição a momento ‘difícil’ da política
14/09/2026
(Foto: Reprodução) Fernando Haddad (PT) fala sobre cumprir metas na área de Saúde em entrevista a TV Globo
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (14) que pretende usar inteligência artificial para reduzir as filas da saúde, rever o contrato de privatização da Sabesp e renegociar contratos do estado caso seja eleito.
Em entrevista ao SP1, da TV Globo, Haddad também comentou a rejeição de 48% apontada pelo Datafolha e afirmou que os índices estão elevados porque “a política está muito difícil para todo mundo”.
O petista disse que pretende modernizar a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), responsável por organizar o acesso de pacientes a vagas no SUS estadual, com o uso de inteligência artificial.
Segundo Haddad, a tecnologia permitiria criar uma gestão mais eficiente das filas e integrar informações de serviços como o Samu, prontos atendimentos e leitos hospitalares.
“O Cross vai passar a ter uma gestão de fila inteligente com inteligência artificial.”
Haddad prometeu que, no primeiro ano de uma eventual gestão, a tendência atual de crescimento das filas seria revertida. Ele não estabeleceu, porém, uma meta de redução em número de pacientes ou no tempo de espera.
O candidato também voltou a defender a criação de hospitais-dia, voltados, entre outros procedimentos, para cirurgias que não exigem internação. Diferentemente da campanha de 2022, quando falava em 70 unidades, disse que o número será reavaliado porque houve reabertura de leitos após a pandemia.
Haddad afirmou ainda que pretende renegociar dívidas das Santas Casas e criar uma central de compras para essas instituições. Segundo ele, a medida poderia gerar economia de R$ 1 bilhão.
Revisão do contrato da Sabesp
Fernando Haddad (PT) fala sobre Sabesp em entrevista à TV Globo
Questionado sobre a privatização da Sabesp, Haddad afirmou que não pretende simplesmente romper o contrato, mas disse que fará uma revisão das cláusulas se assumir o governo.
O candidato afirmou que pretende montar uma equipe para analisar contratos de privatizações e concessões, citando especificamente Sabesp, CPTM e free flow. Segundo ele, concessionárias poderão ser multadas e, em último caso, os contratos poderão ser questionados judicialmente.
“Nós vamos rever as cláusulas desse contrato e eu vou aplicar penalidades duras quando vocês falharem com a população.”
Ao ser perguntado se conseguiria reduzir a conta de água, Haddad não fez essa promessa. Disse que uma redução dependeria da possibilidade de rever cláusulas de reajuste previstas no contrato.
O candidato ainda afirmou que poderá chegar ao rompimento caso as empresas não se adequem às exigências do poder público.
“Eu vou chamar para a minha mesa, fazer o que eu fiz no Ministério da Fazenda: montar uma equipe, rever o contrato, chamar a concessionária, rever cláusula, multar e eventualmente judicializar, se eu tiver que chegar ao extremo.”
Rejeição de 48%
Fernando Haddad (PT) fala sobre índice de rejeição em entrevista à TV Globo
Haddad também foi questionado sobre sua dificuldade de conquistar votos no interior do estado e sobre a rejeição de 48% registrada pelo Datafolha.
O candidato respondeu que os índices de rejeição estão elevados de maneira geral e atribuiu o cenário às dificuldades enfrentadas pela política.
“As rejeições estão muito altas, porque a política está muito difícil para todo mundo.”
Na sequência, Haddad argumentou que governadores ficam mais “abaixo do radar” do eleitor do que presidentes e prefeitos e, por isso, teriam índices maiores de reeleição.
O petista aproveitou a resposta para criticar a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Disse que São Paulo vive um momento ruim das finanças públicas e criticou os resultados do estado em educação, saúde e segurança pública.
Roubos de celular
Fernando Haddad (PT) fala sobre roubo de celulares em entrevista à TV Globo
Ao falar sobre os roubos de celulares e alianças, Haddad afirmou que a Segurança Pública de São Paulo precisa se modernizar e prometeu adotar novas tecnologias para agilizar o registro de ocorrências e a atuação das polícias. Entre as propostas está a possibilidade de registrar boletins de ocorrência pelo WhatsApp.
“Nós estamos na época do telefone fixo em São Paulo. Não atualizamos, não nos modernizamos. [...] Eu quero fazer o B.O. por Zap. Você vai fazer o B.O. da forma mais simplificada e em tempo real”, afirmou o petista.
Haddad disse ainda que pretende reunir os registros em uma central e usar inteligência artificial para analisar os dados e orientar o patrulhamento da Polícia Militar e as investigações da Polícia Civil. Segundo ele, isso permitiria acompanhar mais rapidamente o deslocamento da criminalidade pelo estado. “O crime organizado vai mudando de ambiente, vai mudando de região e o Estado demora a chegar onde o crime está”, disse.
Plataformas digitais e escolas cívico-militares
Fernando Haddad (PT) fala sobre Educação em SP em entrevista à TV Globo
Na educação, Haddad afirmou que pretende eliminar o uso das plataformas digitais que, segundo ele, têm substituído outras formas de estudo nas escolas estaduais durante a gestão Tarcísio. O candidato também prometeu realizar concursos e efetivar professores da rede estadual.
“Professor não vai ficar preenchendo plataforma de forma inútil, que levou a esse descalabro das notas do Ensino Médio. Nós vamos fazer concurso, que vão passar por estágio probatório. Professor bom vai ser efetivado e vai ter tempo para planejar sua aula e a relação com cada aluno da sua sala”, afirmou.
Haddad associou as mudanças à promessa de melhorar o desempenho da educação paulista. “Porque é isso que levou São Paulo para o primeiro lugar [de nota no Ideb]. Hoje nós estamos em décimo. Nós vamos voltar a ser o primeiro”, disse o petista.
Sobre as escolas cívico-militares, Haddad afirmou que não pretende ampliar o modelo, mas disse que respeitará a decisão das comunidades escolares sobre a manutenção das unidades que já adotam o sistema. O petista afirmou que não considera o modelo adequado do ponto de vista pedagógico e defendeu levar para a rede estadual a experiência dos Institutos Federais, com foco também na educação profissional.
Na habitação, Haddad disse que pretende levar para cidades do interior a experiência do Plano Diretor adotado na capital paulista durante sua gestão como prefeito, com mudanças na legislação urbanística para estimular a construção de moradias populares. Segundo ele, o governo estadual deve ajudar as prefeituras a elaborar regras que reservem áreas para habitação de interesse social e contribuam para reduzir o déficit habitacional.
O candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos) será o entrevistado desta terça-feira (15) do SP1. As entrevistas são sempre às 12h15.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, em entrevista exclusiva ao telejornal SP1, da TV Globo nesta segunda-feira (14).
Reprodução/TV Globo