Jornalista presa por ataques homofóbicos em SP terá de indenizar vítimas em R$ 60 mil e fazer cursos de conscientização

  • 16/06/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher chama homem de 'bicha nojenta' em shopping de luxo em SP O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) firmou um acordo de não persecução penal com a jornalista Adriana Catarina Ramos de Oliveira, presa no ano passado após praticar dois ataques homofóbicos na capital paulista. Pelo acordo, os promotores determinaram que a jornalista pague uma indenização de R$ 15 mil para cada uma das quatro vítimas dos casos registrados no Shopping Iguatemi e em um prédio residencial da região onde ela vivia, no Centro da capital. O valor total das indenizações é de R$ 60 mil. O documento, homologado pela Justiça de São Paulo em 3 de junho, também estabelece que Adriana participe de um curso de letramento para combate à LGBTQIAPN+fobia, composto por quatro videoaulas, além de frequentar um curso presencial sobre o mesmo tema promovido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da capital paulista. Segundo os termos do acordo, ela também deverá participar presencialmente de grupos reflexivos na PUC-SP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com o objetivo de compreender os danos causados pela conduta criminosa que lhe foi imputada. Outra medida prevista é a doação de kits de estudo e higiene no valor de R$ 60 mil para pessoas atendidas pelo projeto Transcidadania, da Prefeitura de São Paulo. A jornalista Adriana Catarina Ramos de Oliveira, que havia sido presa em flagrante por ofensas homofóbicas no Shopping Iguatemi, voltou a atacar homens com xingamentos no condomínio onde mora, na região central de São Paulo, um dia após deixar a prisão. Reprodução/Redes Sociais Os termos foram assinados pela própria jornalista e por sua advogada de defesa. Com isso, fica impedida a abertura de uma ação penal contra Adriana, desde que ela cumpra integralmente as obrigações estabelecidas. Embora tenha comprovado no processo que foi internada diversas vezes por problemas psiquiátricos e que atualmente está sob curatela provisória de suas filhas, o juiz responsável pelo caso destacou que a condição não a isenta de responsabilização pelos dois atos homofóbicos praticados em dias distintos. O acordo prevê que, em caso de descumprimento das medidas, o Ministério Público poderá retomar a persecução penal pelos ataques ocorridos no ano passado. O g1 procurou o relações-públicas Gustavo Leão, uma das vítimas do segundo episódio, ocorrido em Higienópolis, na região central da cidade. Ele afirmou estar satisfeito com a solução adotada pela Justiça. “Nenhum valor é capaz de reparar integralmente a agressão que passamos, a humilhação e os impactos emocionais que atitudes como a dela deixam. Mas, para mim, o mais importante não é a indenização, e sim o fato de existir uma resposta das nossas instituições. Considero relevante que o acordo tenha previsto medidas educativas, cursos, ações de conscientização e doações que beneficiam entidades LGBT”, afirmou Leão. “Letramento sobre diversidade e direitos que envolvem a comunidade são fundamentais para promover reflexão, prevenir situações como essa que passamos e reforçar uma cultura de respeito. Entendo que não cabe a mim fazer qualquer juízo sobre a condição de saúde dela. Como vítima, o que posso dizer é que não vejo nenhuma condição pessoal como justificativa para ofensas ou atos de discriminação contra outras pessoas”, declarou. Ofensas registradas em vídeo Mulher presa por homofobia em shopping de luxo em SP faz novo ataque homofóbico Adriana Ramos de Oliveira ganhou repercussão nacional em 14 de junho de 2025, quando se envolveu em uma discussão com Gabriel Galluzzi Saraiva. Segundo relatos, o desentendimento começou depois que ele defendeu uma funcionária que estaria sendo tratada de forma ofensiva pela jornalista. Durante a discussão, Adriana dirigiu insultos homofóbicos ao homem, chamando-o de “bicha nojenta” e utilizando outros termos depreciativos. Na ocasião, ela foi presa em flagrante por injúria com conotação homofóbica e, posteriormente, obteve liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares. Dois dias após deixar a prisão, Adriana voltou a protagonizar um episódio semelhante no condomínio onde morava, no bairro de Higienópolis. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram a jornalista ofendendo três vizinhos homossexuais, entre eles Gustavo Leão, com expressões pejorativas e insultos relacionados à orientação sexual deles. As vítimas acionaram a Polícia Militar e registraram boletim de ocorrência. A jornalista foi levada para prestar esclarecimentos no 14º Distrito Policial de Pinheiros, mas acabou liberada após o procedimento policial. Os dois casos tiveram ampla repercussão porque o segundo ocorreu logo após a concessão da liberdade provisória no primeiro episódio. Pedido de desculpas da família Homofobia em Shopping de São Paulo Após os ataques, as filhas da jornalista divulgaram uma nota pública pedindo desculpas às vítimas e afirmando que a mãe enfrenta transtornos mentais. "Como filhas, gostaríamos de expressar, com profunda tristeza e sinceridade, o quanto estamos abaladas com os acontecimentos recentes. Pedimos desculpas, do fundo do coração, às pessoas que foram atingidas e afetadas pelas ofensas proferidas", disse a nota, que também fala que a jornalista sofria de esquizofrenia e estavam em tratamento médico. Na nota, as filhas também afirmam que não concordam com "qualquer ato de agressão ou preconceito" e informam que Adriana Ramos enfrenta há cerca de 20 anos um quadro severo de esquizofrenia e transtorno bipolar. Segundo o comunicado, as condições de saúde da jornalista podem se manifestar, em determinados momentos, de maneira imprevisível e descontrolada. As familiares afirmam que os episódios recentes estariam relacionados a essas características dos transtornos. Ainda de acordo com as filhas, Adriana já passou por diversas internações e tratamentos ao longo dos anos. "Neste momento, nossa prioridade é garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos. Estamos tomando, de imediato, as providências necessárias junto aos profissionais de saúde para que novos episódios sejam evitados", disseram. A jornalista foi internada em uma clínica psiquiátrica logo em seguida aos episódios e atualmente permanece sob curatela das duas filhas. Símbolo LGBT, leque ocupa a Paulista na parada: 'Para espantar a homofobia do ar'

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/06/16/jornalista-presa-por-ataques-homofobicos-em-sp-tera-de-indenizar-vitimas-em-r-60-mil-e-fazer-cursos-de-conscientizacao.ghtml


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