Lula faz ato na Paulista e pede que eleitores convençam quem não foi votar no 1º turno: 'Temos obrigação de conversar'
11/10/2026
(Foto: Reprodução) Lula faz ato com apoiadores na Avenida Paulista, em SP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou neste domingo (11) de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu aliados, apoiadores e lideranças políticas. Ao discursar, defendeu que seus eleitores conversem com pessoas que deixaram de votar no primeiro turno.
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Entre abstenção e pessoas que não foram votar, são 30 milhões. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas”, disse.
No primeiro turno, em 4 de outubro, mais de 33 milhões de pessoas que estavam aptas a votação não compareceram. O índice de abstenção foi de 21,08%, o maior já registrado.
Lula discursa na Avenida Paulista ao lado de Janja, Alckmin e governadores do PT reeleitos
Yuri Murakami/F/2.8 News/Estadão Conteúdo
O ato ocupou vários quarteirões da Paulista e teve concentração na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a partir das 11h. O evento integrou a agenda de mobilização de entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia, que divulgaram uma carta conjunta em defesa da educação, da ciência e da democracia.
Lula faz ato de campanha na Av. Paulista com aliados e apoiadores
A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), junto a entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), convocou a mobilização para defender o financiamento público da educação e da pesquisa, a valorização de professores e cientistas e a autonomia universitária.
Entre as autoridades presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ex-ministra Marina Silva, o ministro Guilherme Boulos e os governadores reeleitos Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.
Ainda em seu discurso, Lula criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. "Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples. Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas. Vocês viram quantas milhões de pessoas foram enterradas em sacos pretos sem poder se despedir da sua família, porque tivemos um presidente irresponsável, que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina", afirmou.
Apoiadores de Lula se reuniram neste domingo (11) na Avenida Paulista
Edi Sousa/Ato Press/Estadão Conteúdo
O presidente também falou sobre propostas para um eventual próximo mandato, com foco em tecnologia, indústria digital, transição energética e segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica neste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital. A gente vai ter que fazer a evolução energética. A gente vai ter que fazer uma revolução na segurança pública, porque nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila”, declarou.
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Fim da escala 6x1 e PEC da Segurança Pública
Lula conversa com jornalistas durante ato na Avenida Paulista
Reprodução/TV Globo
Antes do ato, Lula conversou com jornalistas e comentou a expectativa de votações no Congresso de propostas de seu governo: o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Sobre a escala 6 por 1, o presidente afirmou que a votação está prevista para quarta-feira (14) e disse que a oposição terá de demonstrar se é favorável à ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores.
Questionado sobre a possibilidade de adiamento da votação para depois do segundo turno, Lula afirmou que o assunto já havia sido tratado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e que a data estava definida.
"Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor. Eles vão ter só isso. O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade", declarou.
Em seguida, Lula afirmou que o PL terá de se posicionar sobre a proposta. “O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais. É isso", disse.
O presidente também mencionou a PEC da Segurança Pública, afirmando que a proposta prevê a participação do governo federal na área e permitirá definir o papel da União e dos municípios no combate ao crime organizado.
Lula ainda criticou possíveis cortes de direitos por parte de seu adversário, comparando as medidas ao governo de Javier Milei, na Argentina. Segundo ele, as propostas poderiam atingir a população mais pobre e os aposentados.
Questionado sobre a decisão do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que derrubou o canal do WhatsApp criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), Lula classificou a medida como um absurdo e afirmou que os advogados de sua candidatura deverão pedir explicações à Justiça Eleitoral.
"Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral. Porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou.
Na tarde deste domingo, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a determinação de Nunes Marques e mandou reabilitar o funcionamento do canal. A nova decisão é preliminar e deverá ser discutida pelo plenário do TSE.
Lula afirmou que percebe bloqueios de perfis ligados ao seu grupo nas redes sociais e criticou o que considera interferência da Justiça Eleitoral no processo eleitoral.
“Nós vamos hoje, sabe, entrar na Justiça com um pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, afirmou.
Atos em outras cidades
Ato de apoiadores de Lula em Belo Horizonte, Minas Gerais
Ewerton Lopes/ TV Globo
Em Campinas (SP) , apoiadores de Lula se concentraram às 10h no Largo do Rosário, no Centro, e realizaram a a "Marcha pela Democracia". Por volta de 11h30, os participantes começaram a passeata e caminharam por vias da região central.
O ato foi encerrado por volta das 13h20, com retorno ao ponto inicial, e a dispersão começou às 13h30, quando a Glicério foi liberada para o tráfego.
No Centro de Belo Horizonte (MG), apoiadores realizaram um bandeiraço com o bloco 'Sou Vermelho' no quarteirão fechado da Rua dos Carijós. O ato começou por volta das 10h deste domingo (11). Depois, os eleitores seguiram para uma caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a Unidade Integrada de Trânsito, formada pela BHTrans, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar, monitoraram a região da Praça Sete para garantir a segurança dos participantes e do trânsito na região.
Em Juiz de Fora (MG), apoiadores de Lula se reuniram no Centro. A concentração teve início em frente à Câmara Municipal, no Parque Halfeld, por volta das 11h. Com bandeiras, faixas e cartazes, o grupo permaneceu no local até o início da tarde, quando desceu em passeata pelo Calçadão da Rua Halfeld em direção à Praça da Estação, no Centro.
Em Florianópolis (SC), o ato em favor de Lula começou no final da manhã deste domingo (11) no Parque da Luz, próximo à Ponte Hercílio Luz, no Centro. Políticos que foram eleitos como deputados federais e estaduais nas eleições 2026 também estiveram presentes, entre eles Ana Paula Lima, Pedro Uczai, Giovana Mondardo e Marquito.
No Recife (PE), apoiadores se concentraram na Rua Princesa Isabel, próximo ao Parque 13 de Maio, no Centro, às 14h deste domingo (11), para participar da Caminhada pela Democracia.
Por volta das 14h30, o grupo começou a percorrer ruas do bairro de Santo Antônio e do Bairro do Recife, na área central da capital pernambucana, em direção ao Marco Zero.
Entre os políticos participantes, estavam a senadora Teresa Leitão (PT), líder do governo no Senado; a deputada estadual reeleita Dani Portela (PT) e o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL).