Médico que ajudou no atendimento de maratonista que morreu critica organização da corrida: ‘Desfibrilador demorou 15 minutos’

  • 30/07/2026
(Foto: Reprodução)
Médico critica organização da prova onde maratonista de 50 anos morreu em SP O médico Miguel Carvalho Santacreu, que estava presente na corrida de rua em que morreu o publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, publicou um vídeo nas redes sociais criticando a organização da prova pela demora em prestar socorro ao atleta. Barreto sofreu uma parada cardíaca depois de completar a meia maratona da SP City Marathon, na Zona Sul de São Paulo, organizada pela empresa Iguana Sports. No vídeo publicado nas redes sociais, Santacreu afirma que participou da prova de 21 km e contou que deixava o evento quando viu Barreto caído no chão e cercado por outros maratonistas. Segundo o médico, houve uma demora de cerca de 15 minutos até que uma ambulância com Desfibrilador Externo Automático (DEA) chegasse ao local onde Júlio Barreto recebia os primeiros atendimentos médicos dos colegas de prova. Maratonista amador de 50 anos morre durante prova de rua em SP No vídeo, o médico nutrologista do Hospital Albert Einstein afirma que os primeiros socorros ao publicitário foram dados por médicos que participavam da prova e que, só depois de 10 minutos de atendimento de Júlio Barreto uma ambulância da organização da prova chegou ao local, sem o desfibrilador. “Uma médica ficou no cronômetro, dois médicos ficaram checando o pulso nas femurais, um médico ficou na cabeça, também checando o pulso carotídeo, e alguns outros médicos. A gente fez um revezamento para fazer a compressão cardíaca, que já é um ato que cansa bastante. Então, depois de uma prova de 21km, estava todo mundo muito cansado, mas estava dando todo mundo o seu melhor ali. A gente pediu para o pessoal se afastar, avisar o evento do que estava acontecendo”, relatou (veja vídeo acima). “E aí continuamos tocando a parada ali por uns 10 minutos, quando chegou a primeira ambulância, a primeira ambulância chegou com uma equipe de bombeiros, e sem nenhum médico. A gente solicitou um DEA, e eles falaram que naquela ambulância não tinha”, contou. O médico Miguel Carvalho participou dos primeiros atendimentos ao publicitário Júlio Barreto, que morreu após participar da SP City Marathon, na Zona Sul de SP. Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais LEIA MAIS: Dois dias após morte de atleta amador, Prefeitura de SP cria grupo para elaborar protocolo de segurança para corridas de rua PERFIL: quem era o corredor de 50 anos que morreu após cruzar a linha de chegada de uma corrida de rua em SP O médico afirmou que pediu ao bombeiro para acharem um desfibrilador urgente e pediram a máscara respiratória [ambu] que tinha na ambulância para poder auxiliar os médicos corredores que estavam nos primeiros socorros da vítima. “O DEA chegou ali pelo 15º minuto, se não me engano. Não vou conseguir falar os números exatos, porque foi tudo muito rápido, tudo muito movimentado. Mas tenho uma noção porque a gente tinha uma médica no cronômetro”, revelou. “Quando chegou o DEA, colocamos no paciente, e o DEA sugeriu o choque. Chocou, ele não voltou e continuamos com a compressão. Por ali foi mais uns quatro choques até que chegou uma outra ambulância, com um médico coordenador, algum outro médico, não sei. O DEA chegou com uma equipe médica, mas depois uma segunda ambulância chegou com outro médico. E aí decidiram transferir o paciente”, declarou. Miguel Carvalho Santacreu disse que relutou em fazer o vídeo para não criticar os profissionais de saúde que atendiam o evento, mas afirmou que houve “várias pequenas falhas”. "Essa discussão tem que entrar em pauta, porque essas pequenas falhas têm que ser sanadas para que essas ocorrências não voltem a acontecer, ou sejam minimizadas". “O que me irritou muito, de verdade, foi a resposta do evento, que demorou muito para chegar a assistência e a nota de pesar que eles postaram, falando que desde o começo eles tinham um médico deles fazendo tudo certinho, quando não foi o que eu vivenciei” “Eu e dezenas de outras pessoas que estavam lá sabemos que o atendimento do evento demorou a chegar, não foi instantâneo. O primeiro foi com diversas falhas. Não vou falar que o desfecho poderia ter sido diferente, não sei. Mas a conduta toda poderia ter sido diferente”, revelou. “Meu desejo, sincero mesmo, é que nenhum corredor, nenhum profissional, nenhum familiar tenha que passar por isso. A gente tem que tentar melhorar isso, gente. E outra coisa: buscar um médico, cuidar da própria saúde, porque correr não é só correr. A gente tem que se cuidar”, desabafou. O que diz a organização da prova A SP City Marathon foi organizada pela Iguana Sports no último domingo (26) e teve largada em frente ao estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de SP. Reprodução/Iguana Sports/Instagram O g1 procurou a Iguana Sports, que, por meio de nota, afimrou que "nenhuma estrutura médica, por mais completa que seja, consegue prevenir 100% desses eventos — o que ela consegue é reduzir o tempo entre o colapso e o primeiro atendimento, que é o fator que mais influencia a sobrevida". "Nós estávamos na linha de chegada a 100 metros onde tudo aconteceu com os DEAS, conforme registrado nos relatórios médicos e imagens fotográficas, que confirmam que o atleta recebeu atendimento protocolar assim que chegou a comunicação à equipe", afirmou. "Infelizmente o quadro clínico do atleta, não permitiu sua recuperação, apesar de todo esforço da equipe médica e adoção de todos os procedimentos de suporte avançado. Toda estrutura da prova é planejada com base nas diretrizes médicas da World Athletics (Competition Medical Guidelines) e no Anexo III da Norma 7 da CBAt, o Plano de Segurança e Emergência em Corridas de Rua e regulamentação municipal", afirmou a empresa. E completou: "Do ponto de vista médico, de forma geral: eventos cardíacos súbitos em corredores — mesmo em atletas experientes e aparentemente saudáveis — são um fenômeno reconhecido internacionalmente, e infelizmente não são exclusivos desta ou daquela prova", declarou a empresa (veja íntegra da nota abaixo). Em nota divulgada nas redes sociais do evento logo após a morte do publicitário, a empresa informou que Barreto foi "prontamente atendido pela equipe médica do evento, que iniciou as manobras de reanimação ainda no local", no Jockey Club de São Paulo, na Zona Sul da capital. Nota da Iguana Sports publicada logo depois da morte confirmada do publicitário Júlio Barreto. Reprodução/Redes Sociais Segundo a empresa, "após a [linha de] chegada, Julio apresentou episódio de perda de consciência e ausência de resposta aos estímulos", sendo "encaminhado ao hospital, onde recebeu todo o suporte avançado disponível, mas, apesar de todos os esforços, não resistiu. “A equipe médica, os voluntários e toda a organização se solidarizam com a família, os amigos e todos que correram ao seu lado hoje. Nesse momento, o que nos cabe é respeito, o silêncio e o acolhimento”, disse a empresa. Essa foi a 10ª edição da SP City Marathon, que acontece na capital paulista. A prova conta com duas modalidades, maratona e meia-maratona, com 42,2 km de distância e 21,1 km de distância, respectivamente. A largada aconteceu na praça Charles Miller, no bairro do Pacaembu, e terminou no Jockey Club de São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Júlio passou mal e procurou uma ambulância disponibilizada pela organização do evento, sofreu um mal súbito e caiu. Grupo de trabalho da prefeitura Prefeitura de SP cria grupo para elaborar protocolo de segurança para corridas de rua Conforme o g1 noticiou nesta quinta-feira (30), a Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho para elaborar um protocolo de segurança e saúde para corridas de rua e eventos esportivos similares realizados em vias públicas da capital. A medida foi publicada na terça-feira (28), dois dias após a morte do publicitário e atleta amador Julio Barreto, que sofreu uma parada cardíaca depois de completar a meia maratona SP City Marathon. Segundo a portaria assinada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), o grupo terá 20 dias para concluir os trabalhos e apresentar uma proposta com parâmetros mínimos de segurança e atendimento à saúde para esse tipo de evento. Entre as atribuições do grupo estão: Diagnosticar as exigências atualmente aplicáveis para autorização das corridas de rua; Definir parâmetros mínimos de segurança e de estrutura de atendimento médico-emergencial; Criar uma matriz de responsabilidades entre os órgãos envolvidos nas etapas de autorização, organização, acompanhamento e fiscalização dos eventos. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer também ficará responsável por organizar o calendário das corridas de rua e compatibilizá-lo com os demais eventos de grande porte realizados na cidade. A portaria ainda prevê que o grupo poderá convidar representantes de outros órgãos públicos, entidades privadas, organizadores de eventos esportivos, entidades de classe e especialistas para contribuir com a elaboração do protocolo. Quem era o atleta Julio Barreto, de 50 anos, foi vítima de uma parada cardíaca após participar da SP City Marathon, da Iguana Sports. Reprodução/Redes Sociais O publicitário Julio Barreto morreu após completar os 21 quilômetros da SP City Marathon, corrida patrocinada pela Nike e pela Iguana Sports, na Zona Sul da capital. Segundo os organizadores, ele passou mal logo depois de cruzar a linha de chegada, apresentando perda de consciência e ausência de resposta a estímulos. A causa foi uma parada cardíaca. Barreto trabalhava como gerente de acesso ao mercado na Danone, com atuação nas áreas de saúde suplementar, nutrição especializada e oncologia. Ele havia ingressado na empresa em abril deste ano, após atuar como gerente de Oncologia na Johnson & Johnson. Experiente em provas de longa distância, foi atleta amador de ciclismo por vários anos e passou a disputar corridas de rua em 2021. Mais recentemente, também participava de provas de trail run, modalidade disputada em trilhas e montanhas. Ele integrava o grupo de corrida Vila Leopoldina Road Runners, que divulgou uma nota pública em homenagem ao atleta após a morte. Julio Barreto disputou diversas provas de ciclismo em São Paulo. Reprodução/Redes Sociais “Hoje nos despedimos de alguém que fez parte da nossa equipe, compartilhou treinos, desafios, conquistas e deixou sua marca entre todos nós. Neste momento de profunda dor, expressamos nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. Que Deus conceda força e conforto aos corações enlutados, e que sua lembrança permaneça viva por meio de tudo o que construiu e inspirou”, afirmou o grupo. Nas redes sociais, Julio Barreto tinha orgulho de torcer para o Santos e também do trabalho com pacientes oncológicos na indústria farmacêutica como divulgador de produtos para qualidade de vida dos pacientes. “Minha experiência em oncologia, doenças raras e hipertensão arterial pulmonar contribuiu para uma visão integrada sobre jornada do paciente, barreiras de acesso, sustentabilidade do sistema, geração de valor e articulação entre indústria, profissionais de saúde, instituições, operadoras e gestores”, escreveu ele. A partir de 2021, passou a disputar regularmente provas de rua e de corridas em trilhas. Grupo Vila Leopoldina Road Runners divulgou uma nota pública se despedindo de Julio Barreto. Reprodução/Redes Sociais Nas redes sociais, os amigos estavam inconsoláveis pela partida do colega de corrida. “Difícil acreditar, muito triste tudo isso!! Ainda ontem foi no treino e tirou foto conosco. Que Deus dê muita força a toda a família nesse momento tão difícil!!”, escreveu Paula Hefler. A nutricionista Camila Porto, que atendia Julio, também desejou força para a família do publicitário. “Uma tristeza, difícil acreditar. Uma pessoa que amava o esporte e com certeza inspirava muitos do grupo. Será sempre lembrado 🙏🏻 muita força, especialmente para a Magê e Duda”, escreveu. O que dizem os organizadores Corredor morre após passar mal em corrida de rua em São Paulo Reprodução/Instagram @spcitymarathonoficial Leia a íntegra da nota da SP City Marathon, da Iguana Sports. "Antes de tudo, reforçamos nossa solidariedade à família, aos amigos e a todos que correram ao lado do Júlio — e mantemos a posição já divulgada pela organização de não comentar detalhes específicos do caso, em respeito à família. Do ponto de vista médico, de forma geral: eventos cardíacos súbitos em corredores — mesmo em atletas experientes e aparentemente saudáveis — são um fenômeno reconhecido internacionalmente, e infelizmente não são exclusivos desta ou daquela prova. A literatura médica estima a incidência de morte súbita em corredores de maratona entre 0,75 e 2 casos por 100 mil participantes, sendo o momento logo após a chegada um dos de maior risco — porque o corpo passa por uma transição hemodinâmica abrupta assim que o esforço cessa. Na maioria desses casos, a causa é uma condição cardíaca estrutural ou elétrica que não havia se manifestado antes e que exames de rotina, sem investigação cardiológica específica, não identificam. É justamente por isso que existe hoje, dentro do movimento Corrida Segura da CBAt, a discussão sobre tornar obrigatória a avaliação cardiológica anual para corredores — não é sobre a estrutura do evento, mas sobre identificar riscos que o próprio atleta ainda não conhece. Nenhuma estrutura médica, por mais completa que seja, consegue prevenir 100% desses eventos — o que ela consegue é reduzir o tempo entre o colapso e o primeiro atendimento, que é o fator que mais influencia a sobrevida. E nós estávamos na linha de chegada a 100 metros onde tudo aconteceu com os DEAS, conforme registrado nos relatórios médicos e imagens fotográficas, que confirmam que o atleta recebeu atendimento protocolar assim que chegou a comunicação à equipe. Infelizmente o quadro clínico do atleta, não permitiu sua recuperação, apesar de todo esforço da equipe médica e adoção de todos os procedimentos de suporte avançado. Toda estrutura da prova é planejada com base nas diretrizes médicas da World Athletics (Competition Medical Guidelines) e no Anexo III da Norma 7 da CBAt, o Plano de Segurança e Emergência em Corridas de Rua e regulamentação municipal".

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/30/medico-que-ajudou-no-atendimento-de-maratonista-que-morreu-critica-organizacao-da-corrida-desfibrilador-demorou-15-minutos.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes