Mulher morre após ter intestino perfurado durante colonoscopia em hospital municipal na Zona Leste de SP
30/07/2026
(Foto: Reprodução) Mariana dos Santos Candido morreu aos 41 anos depois de ter o intestino perfurado durante exame no Hospital Municipal Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo
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Uma mulher morreu depois de ter o intestino perfurado durante uma colonoscopia no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Ela passou por uma cirurgia de emergência na unidade, mas não resistiu às complicações e teve a morte confirmada na tarde de quarta-feira (29).
A paciente era Mariana dos Santos Candido, de 41 anos. Segundo familiares, o procedimento havia sido agendado como um exame de rotina.
🔍 A colonoscopia é o principal exame realizado para avaliar a saúde do intestino grosso e a parte final do intestino delgado. O procedimento é seguro e essencial para o diagnóstico precoce de câncer. É realizado sob sedação e é indolor, mas exige um preparo para limpar o intestino.
A tia de Mariana, a professora Mara Aparecida, contou ao g1 que a família foi informada pela equipe médica que a paciente teve praticamente metade do órgão lacerado durante a colonoscopia.
"Eles falaram que rasgaram 50% do intestino dela. Ela foi levada para a cirurgia, conseguiram fechar, só que ela não resistiu. Hoje [quarta], à uma hora da tarde, ela veio a óbito", disse Mara.
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Segundo a familiar, Mariana não tinha problemas de saúde conhecidos e realizava o exame pela primeira vez, por recomendação médica em razão do histórico familiar de câncer colorretal.
"Era um exame de rotina. Meu pai faleceu de câncer de intestino. Então a família inteira, depois dos 40 anos, faz esse exame de dois em dois anos. Ela não tinha nada. Foi a primeira vez que fez", relatou Mara.
Mariana morava com a mãe na região da Cohab I, na Zona Leste, e deixou três filhos que cria sozinha, de 20, 15 e 9 anos. De acordo com a tia, ela trabalhava como agente de organização escolar em uma unidade da rede estadual de ensino e havia comemorado recentemente a conquista do emprego.
"Ela estava superfeliz porque tinha conseguido um serviço registrado. Era uma pessoa cheia de vida, guerreira para caramba", afirmou Mara.
A familiar também criticou a falta de informações prestadas à família após a intercorrência médica. Segundo ela, representantes do hospital disseram que o exame foi realizado por um serviço terceirizado instalado dentro da unidade.
"Eles não quiseram passar o nome do laboratório. Não quiseram passar o nome do médico. Falaram que era um laboratório terceirizado e que só poderiam fornecer essas informações para parentes de primeiro grau", declarou.
Ainda segundo Mara, a direção do hospital informou aos parentes que um relatório sobre o caso só poderia ser fornecido em até 30 dias.
"O que falaram para minha irmã foi que a culpa não era do hospital e que o exame tinha sido feito por um laboratório terceirizado", disse.
Abalada, a tia contou que conversou com a sobrinha na véspera do procedimento. "Ela me ligou antes de ontem só para dizer: 'Tia, eu te amo'. Foi a última vez que nós conversamos. Ela disse que faria o exame no dia seguinte e que estava com medo", relatou.
A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita e morte acidental. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), que realizará exame necroscópico para determinar a causa da morte.
O g1 questionou a Prefeitura de São Paulo sobre a causa da morte apontada pela equipe médica, a identificação do laboratório responsável pela colonoscopia, o médico que realizou o procedimento, a eventual abertura de sindicância para apurar o caso e as medidas de assistência à família. A administração municipal não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.