Polícia investiga professora por suspeita de crime eleitoral e racismo após falas sobre ‘pezinho na senzala’ e fascismo em aula

  • 22/10/2026
(Foto: Reprodução)
Professora é afastada após fazer comentários sobre regime fascista em Potirendaba A Polícia Civil investiga se a professora da rede municipal de Potirendaba (SP) cometeu crimes de racismo e eleitoral durante uma aula ao fazer comentários sobre o possível cenário político no Brasil e dizer que um dos alunos estava com "pezinho na senzala". O inquérito foi instaurado pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto, e a professora foi afastada das atividades a partir desta quinta-feira (22). A investigação foi instaurada pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto (SP). A gravação que motivou a apuração foi feita em 8 de outubro, por uma câmera de segurança da escola, e mostra a professora conversando com alunos de 11 anos. Assista acima. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Professora foi afastada em Potirenadaba (SP) Reprodução/Câmera de segurança Pela imagem, é possível ouvir a professora, que não teve a identidade revelada, comentar que, caso um dos candidatos vença a eleição presidencial, o país poderá sofrer as consequências de um regime ditatorial. Durante a explicação, ela menciona o ditador italiano Benito Mussolini, o líder nazista Adolf Hitler e o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Se o nazismo acontecesse hoje, ou se algum governo com o qual a gente corre esse risco, né. A gente corre muito o risco de o país virar um fascismo”, diz a professora em um trecho do vídeo. LEIA MAIS Homem desce de carro para verificar barulho e é atingido na cabeça por peça arremessada em rodovia 'Eu confiava nele', diz adolescente que arrombou porta do quarto para tentar salvar mãe morta a facadas pelo padrasto Em seguida, um dos alunos pergunta o que é fascismo e ela menciona a extrema direita e a expressão “Deus, pátria e família”. Na sequência, outro aluno questiona se é o mesmo que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende. “Mesma coisa. É o que o Flávio Bolsonaro e os Bolsonaros querem fazer. Então, a gente corre o risco de entrar em uma era dessa, só de brancos e ricos”, comenta a professora. Possível crime de racismo Professora foi afastada da função em Potirenbada (SP) Reprodução/Câmera de segurança A servidora ainda diz aos alunos que, neste contexto, poucos dos estudantes que estavam na sala de aula sobreviveriam. Ela aponta alguns que estariam em situação de risco considerando a cor da pele. As falas da professora também levantaram questionamentos sobre o possível caráter racista. “Ia sobreviver pouca gente. Você ia morrer, pois você é parda [..] Ela não, ele não, pois é loirinho de olho claro”, comenta a professora. Ao ouvir a mulher, uma criança ainda questiona: “Professora, então eu ia morrer, né?”. Então, ela responde: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala.” 🔎 Senzala era o nome dado às construções destinadas à moradia de pessoas escravizadas no Brasil, principalmente nas fazendas e nos engenhos durante o período da escravidão. Esses espaços faziam parte da estrutura do sistema escravista, marcado pela privação de liberdade, pela violência e pela exploração do trabalho de pessoas negras escravizadas. Quando um aluno pergunta o significado da palavra, a professora responde: “É onde você estava.. morava, né?”, comenta a professora. Professora foi afastada O caso veio à tona depois que uma mãe procurou a prefeitura e relatou que a filha voltou para casa chorando e assustada após a aula. A denúncia foi divulgada pela prefeita de Potirendaba, Gislaine Franzotti, nas redes sociais. A administração municipal informou que adotou providências administrativas para apurar a conduta da professora e comunicou o afastamento da servidora, que passou a valer nesta quinta-feira (22). A prefeitura afirmou que não compactua com discriminação ou condutas que provoquem constrangimento e sofrimento emocional aos estudantes e que o ambiente escolar deve ser um espaço de respeito e segurança. Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/10/22/policia-investiga-professora.ghtml


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