Sanasa tem queda de 64% no lucro em 2025 e descumpre contratos com bancos; dívida chega a R$ 1,63 bilhão
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Vista da caixa d'água da Sanasa no bairro Alto Taquaral em Campinas (SP)
Rafael Smaira/g1
A Sanasa teve queda de 64,56% no lucro em 2025 e fechou o ano com R$ 66,8 milhões. No mesmo período, a empresa não cumpriu metas exigidas por bancos em contratos de empréstimo, o que elevou o nível de endividamento. Com isso, a dívida líquida chegou a R$ 1,63 bilhão.
As informações constam no balanço financeiro da companhia, publicado no Diário Oficial de Campinas (SP) desta terça-feira (31). O relatório mostra que a a receita líquida cresceu 7,70% (chegando a R$ 1,53 bilhão), mas o EBITDA caiu 5,85%.
👉 O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) é um indicador que mostra quanto a empresa gera de dinheiro com a atividade principal, antes de despesas como juros e impostos.
A companhia não cumpriu metas financeiras previstas em contratos com bancos, como Santander e Banco do Brasil. Com isso, a agência Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da empresa para BB+(bra), com perspectiva negativa, em dezembro de 2025.
A situação fez com que parte das dívidas tivesse o prazo antecipado, pressionando as contas e levando a um capital de giro negativo de R$ 1,36 bilhão. A rentabilidade da empresa também caiu, passando de 26,62% em 2024 para 8,96% em 2025.
🔎 Capital de giro é o dinheiro que a empresa usa para pagar contas do dia a dia, como salários e fornecedores; quando ele é negativo, indica que as obrigações imediatas são maiores do que os recursos disponíveis. Já a rentabilidade sobre o patrimônio líquido mostra quanto a empresa lucra em relação ao dinheiro dos próprios acionistas, ou seja, o retorno sobre o capital investido pelos donos.
Apesar disso, a empresa afirmou que mantém condições de seguir operando normalmente. A companhia informou ainda que negocia com os bancos para rever as regras dos contratos.
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Redução de custos
A Sanasa criou um programa de redução de custos para tentar equilibrar as contas e voltar a cumprir as metas exigidas em contratos com bancos.
As principais medidas incluem:
Corte de gastos e investimentos: suspensão de despesas e investimentos não essenciais para a operação.
Limite a novos contratos: restrição à assinatura de contratos e aditivos que aumentem despesas.
Controle de pessoal: redução de horas extras e restrições a novas contratações.
Desligamentos voluntários: programa para incentivar saídas planejadas; em 2025, cerca de 24% dos desligamentos ocorreram dessa forma.
Cortes administrativos: redução de gastos com viagens e publicidade.
Cobrança mais rígida: retomada dos cortes no fornecimento de água para combater a inadimplência, com apoio de empresa terceirizada.
O que diz a Sanasa
Em nota enviada ao g1 nesta terça, a empresa destacou que "investiu, nos últimos cinco anos, R$ 1,353 bilhão em obras de abastecimento de água e nos sistemas de coleta, afastamento e tratamento de esgoto, o maior já empregado em 51 anos de história da empresa".
Além disso, frisou que "parte dos recursos foi investido para ampliar a segurança hídrica da cidade". "Os investimentos realizados permitiram que o saneamento em Campinas fosse universalizado 10 anos antes do prazo previsto pelo Marco Legal de Saneamento, ou seja, em 2023", complementou.
Ainda de acordo com a Sanasa, o ano de 2025 foi marcado por um "ambiente macroeconômico desafiador", por conta da manutenção da taxa Selic entre 14 e 15% e o ritmo mais moderado de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
"Um avanço importante que consta no balanço foi a queda no Índice de Perdas no Faturamento: de 10,88%, em 2023, para 7,87% em 2025. O lucro da Sanasa foi de R$ 66,8 milhões e a receita liquida foi de R$ 1,5 bilhão", destacou.
Por fim, a empresa de saneamento afirmou que, em 2025, fez uma "gestão mais austera" dos recursos por conta da desaceleração da economia, mas não deixou de realizar investimentos na metrópole.
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