Tatuí veta atividades de Halloween em escolas municipais: 'Limita o aprendizado', diz pesquisador

  • 31/10/2026
(Foto: Reprodução)
Tatuí aprova lei que proíbe a celebração do Halloween nas escolas municipais O Dia das Bruxas - ou Halloween - é celebrado neste sábado (31) e, neste ano, as escolas municipais de Tatuí (SP) não terão atividades ou festas relacionadas ao tema devido a uma proibição prevista em lei. O projeto de lei foi aprovado pela Câmara Municipal em fevereiro deste ano e promulgado em março, após o prefeito da cidade, Professor Miguel (PSD), não se manifestar dentro do prazo legal. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Segundo a lei, fica proibido toda e qualquer atividade relacionada à cultura do Dia das Bruxas, como festas, decorações ou comemorações dentro das escolas. A iniciativa, proposta pelo vereador Renan Cortez (MDB), diz proteger os valores éticos e familiares dos estudantes, além de valorizar o folclore brasileiro. Escolas municipais de Tatuí não terão atividades de Halloween por proibição legislativa Prefeitura de Tatuí/Divulgação Andriolli Costa, jornalista e pesquisador especializado em folclore e cultura popular brasileira, avalia a medida como uma "posição curiosa". Segundo ele, existe uma desigualdade de espaço entre o Halloween e as figuras nacionais, mas, a proibição não faria, necessariamente, alguém gostar do folclore local de imediato. "Como pesquisador, argumento sempre a favor do Dia do Saci ou de uma convivência com o Dia das Bruxas, ainda que tensionadora. A indústria cultural norte-americana tem uma força que nossos contadores de histórias e artistas não conseguem acompanhar, mas, proibir o Halloween não resolve isso. Tirar a abóbora da escola não faz com que alguém passe a gostar do saci", opina. O profissional prossegue, dizendo que, para entender o ocorrido na cidade, é necessário refletir de forma diferente. Ao contrário do Halloween, ele diz que as figuras folclóricas, como o saci-pererê, são uma oportunidade de conhecimento cultural nacional. "Diante do ocorrido em Tatuí, é preciso um outro exercício de reflexão. Defendo o Dia do Saci porque quero que as crianças tenham mais opirtunidades de conhecer e se encantar com a cultura popular brasileira. Existe uma desigualdade de espaço entre as duas datas", pontua. Montagem com Saci e elementos do Halloween. reprodução Não garante valorização Na visão de Andriolli, a proposta não garante que a proibição do Dia das Bruxas tenha acontecido com o intuito de valorizar o folclore brasileiro - apesar disso ser dito pelo autor do projeto de lei. Segundo ele, o argumento do documento é apenas "evitar temas sombrios para não assustar crianças". Ele aponta que o medo é um sentimento como qualquer outros e que a criança simboliza a partir do imaginário. "Somos apresentados aos 'monstros invisíveis' do ciclo do medo infantil, como cucas, papões e outros que habitam tanto as cantigas de ninar quanto as sombras do quarto. Quando crescemos, deixam de ser apenas criaturas que comem e descomem, mas sim sobre formas de experienciar outros sentimentos a partir da narrativa", diz. Halloween NaPraça Divulgação LEIA TAMBÉM Justiça suspende lei municipal que proibia a participação de crianças e adolescentes na parada LGBTQIA+ em Sorocaba Dia do Folclore: e se a Cobra Grande acordar? Veja lendas que marcam gerações em Itapetininga 'Casar que é bom ninguém quer': quem foi Alzira, a 'noiva' de Sorocaba que virou personagem folclórica Ao g1, o pesquisador faz um contraponto em comparação às figuras nacionais: o Dia das Bruxas pode, também, render atividades pedagógicas e aprendizados. Ele sugere que o tema pode ser aproveitado para revisitar lendas urbanas da comunidade. "O Halloween pode ser muitas coisas, como entretenimento, indústria cultural ou até prática esvaziada, mas pode render boas atividades, dependendo da forma como os professores trabalham o tema. Por que não aproveitar o momento para revisitar lendas urbanas da comunidade, que revelam muito da formação histórica e social do nosso território?", questiona. Raimundão, Dama de Branco e Cobra Grande: lendas atravessam gerações em Itapetininga (SP) Jaime Rafael/TV TEM Andriolli diz que a conversa com familiares pode ser uma forma de partir de um interesse que já existe e ampliar o repertório sobre o assunto. Já uma festa realizada pode ser a etapa final de uma atividade de pesquisa. "Fazer a festa pode ser uma etapa final de uma pesquisa. Como são as bruxas brasileiras? o que Matinta Pereira, do norte, tem de diferente da Pisadeira, que 'perturba o sono' no sudeste? e no caso do Dia do Saci, seria possível pensar em uma atividade que mistura o Halloween com a data brasileira?", aponta. Para o pesquisador, a proibição pode limitar a atuação dos professores e reduzir as oportunidades de aprendizagem dos alunos. "Uma proibição tão ampla pode limitar o trabalho dos professores e fechar possibilidades de aprendizagem. Se queremos fortalecer a cultura brasileira, precisamos oferecer bons materiais, apoiar educadores e aproximar as escolas das pessoas que mantêm esses saberes vivos. São oportunidades de despertar essa curiosidade", conclui Andriolli. Em nota enviada ao g1 nesta sexta-feira (30), a Prefeitura de Tatuí afirmou que valoriza os aspectos da cultura nacional e geral, com os índices educacionais da cidade mostrando um desempenho sólido no ensino básico. A administração municipal não informou se pretende incluir no calendário letivo outras atividades para substituir as relacionadas ao Halloween. Relembre a lei Renan Cortez afirma, como justificativa, que o Halloween não tem relação com a cultura brasileira e argumenta que a celebração pode interferir negativamente no ambiente escolar, ao "promover valores e práticas que não são alinhados com a nossa identidade cultural". O parlamentar também justifica que a proposta busca incentivar a cultura de paz nas escolas. Segundo ele, a festividade envolve elementos ligados ao medo e a temas sombrios, que podem causar desconforto e até assustar crianças, especialmente as mais sensíveis a esse tipo de estímulo. Câmara Municipal de Tatuí Reprodução/TV TEM Durante a apresentação do projeto no plenário da Câmara, Renan Cortez pediu o apoio dos demais vereadores para a aprovação da proposta, afirmando ser cristão, pai de família e educador. Segundo ele, a iniciativa também representa um posicionamento dos parlamentares sobre o que consideram “efetivo, benéfico e correto” para ser aplicado na rede municipal de ensino. Assista ao vídeo no início da reportagem. "Se nós temos que começar a comemorar um dia na rede municipal de ensino, seria o dia do Senhor Jesus, do todo poderoso, do senhor nosso Deus. Esse é o meu posicionamento e a minha opinião", destacou o parlamentar no plenário. Medidas Com a oficialização da lei, a prefeitura deveria promover, por meio da Secretaria de Educação, ações para conscientizar os alunos sobre a importância de valorizar e respeitar as tradições brasileiras, destacando a diversidade e a riqueza das festas culturais do país. À época, o g1 procurou a Prefeitura de Tatuí para obter esclarecimentos sobre o tema, mas não teve retorno. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/10/31/tatui-veta-atividades-de-halloween-em-escolas-municipais-limita-o-aprendizado-diz-pesquisador.ghtml


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